Nilza Neta
Nov 3 · 2 min read

Eu preciso escrever.

A um certo tempo que não reconheço a mim, sinto que não sei, ou talvez nunca soube quem eu sou.

Já tem um tempo, mais do que eu seja capaz de contar, que eu venho fingindo, criando aqui fora quem eu por dentro gostaria de ser.

Já tem um tempo, mais do que eu seja capaz de contar, que eu estou vivendo no automático, passando as horas, os dias, os meses, numa infindável apatia.

Já tem um tempo, mais do que eu seja capaz de contar, que eu tenho dificuldade em me conectar e o que antes parecia mais natural, hoje só enxergo o caos, ele habita em mim.

Eu preciso escrever. Mas em determinado momento, eu parei.

A vida toda eu escrevi, odes à natureza, cartas (não enviadas) de amor, lamentações sinceras, páginas de alegria, páginas de amor, páginas de dor. Eu sempre escrevi…

Eu preciso escrever, porque gritar não posso, falar já não consigo.

A minha mente me prendeu, ou parte de mim, no turbilhão dos meus questionamentos, incertezas, certezas, teorias, filosofias, meu senso de bondade, de certo, as minhas verdades, a minha tão imperfeita mania de perfeição, a vontade de provar o mundo errado, as minhas infinitas dicotomias.

Eu preciso escrever enquanto ainda possuo tempo, tentar organizar os meus pensamentos, me libertar desta enxovia.

Nilza Neta

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Estudante de Ciências Sociais, candomblecista, amante de moda e estética. Escrever é meu escape.