Cinderela baiana — parte 2.

Segundo o Caio, eu sou toda aristocrata. Acontece que eu não gosto de chinelos. Já vi pessoas ficarem bonitas usando Crocs, e péssimas num par de Havaianas. Chinelo, para mim, só na praia ou em casa. Aliás, nem na praia, porque marca e dói.

Já contei essa: minha mãe passou toda a minha infância comprando sapatos mensalmente para os meus pezinhos, que cresciam rápido. Um dia, no meio da adolescência, estacionei no número 36. Até hoje, entretanto, ela compra sapatos dois números maior do que o número que calço, na expectativa de que eles ainda cresçam. O último presente que ganhei dela, antes de me mudar, foi um par de Ipanema, bem hippie, tamanho 38.

(Se você for mãe e tiver crianças pequenas em casa, saiba que isso é uma péssima ideia, que dificulta os pezinhos dos bebês. Infelizmente, filho é investimento e muitos gastos, inclusive com sapatinhos que logo se perderão. Eu soube de uns sites em que mães se cadastram e trocam pares de sapatos pelo correio, exatamente para evitar tanto gasto financeiro. Acho válido pesquisar sobre.)

Tava mostrando para o Caio as fotos de uma festa ~badalada~ aqui da cidade, mas essa festa aconteceu após a inauguração de um espaço que pedia certa “elegância” na vestimenta. Por sorte, lá, não tinha ninguém assim, mas acho o fim da picada ver homem de terno e chinelo. Não, nada verdadeiramente contra, tenho até amigos que são, e muita preguiça de me manifestar ativamente, isto é, não vou lá pedir que a pessoa volte para casa e calce oxfords, né? Acho feio e viro a cara pois, da mesma forma que não sou obrigada, sou a favor que a pessoa use o que ela quiser, o incômodo é todo meu.

Por isso escolhi as Melissas horrorosas, como segunda opção para o chinelo. Tá demais o calor daqui e eu quero sair de casa medianamente arrumadinha. As selecionadas foram:

Dá pra ver que eu não tenho moral alguma pra falar mal de quem usa chinelo, eu sei. Depois, me arrependi um pouquinho, porque o site da Melissa entrou na promoção da Black Friday e, embora as coisas não tenham ficado mais baratas, surgiram mais opções de sandálias.

Na realidade, meu preconceito é fruto da ~magia da ocasião~ e serve para um monte de absurdos. Vou citar outro exemplo:

Meses atrás, eu e namorado estávamos em uma instituição de ensino, participando de um evento. Conhecemos várias pessoas, inclusive uma moça muito bonita que, pelas vestimentas, eu achava que era uma das estudantes. Ela não participou do evento em si, mas foi comer uma pizza com o nosso grupo, depois, vestindo um desses shortinhos de periguete que eu mesma uso, mas só quando vou caminhar.

Recentemente, soube que ela cuida de um departamento daquela instituição e, naquele dia em que a conheci, a moça estava de folga.

Cês me perdoem, mas não gosto não. Acho esquisito, por ser o ambiente de trabalho da pessoa. Podia ser omi de bermuda também, eu ia achar nada a ver. E isso independe de estar em serviço ou não.

Mas cada um sabe de si, né? Só eu que sou chata mesmo.

Po outro lado, acho válida a manifestação que alguns grupos fazem contra a imposição da roupa social no ambiente de trabalho. Tipo, sei lá, advogado em cidade tropical. Ninguém merece. Nem sempre o ar-condicionado dá conta e tanta formalidade chega a ser absurda de arcaica. Acho bem desnecessário.

Olha, por mim, andava todo mundo nu mesmo. Mas aí vieram os portugueses e acabaram com a nossa festa. E tem gente que ainda se sente feliz por ter sido colonizado.