Era uma vez duas saudades.

Não tenho nenhuma imagem para comprovar o momento — nós esquecemos. Mas eu posso contar a história mais ou menos assim:

Era uma vez duas pessoas que se encontraram e tiveram uma amizade intensa demais para tão pouco tempo. Elas se gostavam tanto, apesar da distância, que interpretações equivocadas surgiam quando a escrita era a única forma de comunicação. Elas brigaram feio. E se separaram.

Era uma vez uma menina que teve um ano muito difícil e não podia conversar com ninguém.

Era uma vez uma saudade. Duas.

Um dia, essa menina tomou coragem e, tremendo, avisou que passaria algumas horas na mesma cidade do seu amigo. Mas eles passaram mais tempo separados do que juntos na amizade distanciada que tinham.

Era uma vez esse encontro clichê, no aeroporto, enquanto ela esperava seu vôo de volta para casa.

Era uma vez uma conversa amena com fotos da viagem, com silêncios significativos e mãos dadas.

Era uma vez quando ele gostou das minhas unhas roídas e do meu óculos estranho.

Era uma vez uma série de abraços.

Era uma vez duas pessoas bobas que ficaram muito tempo sem contato, por achar que iriam se ferir quando isso acontecesse.

Era uma vez ele achando que eu estava me recuperando o bastante para não precisar de sua amizade.

Era uma vez eu evitando compartilhar um mundo de coisas com ele, por acreditar que o incomodaria.

Era uma vez Nina e Caio.

Era uma vez quando eu disse: “não fique triste, eu volto ano que vem”.

É uma vez. É uma nova chance. É um ciclo que se encerra e outro que começa. Eu preciso da amizade dele para fazer as pazes com o mundo. Preciso muito.