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Oi Karen, tudo bem? Nossa, mas adorei o “textão”, haha. Então, vamos lá.

Olha, eu considero radicalismos como algo grave. Por exemplo: a menina virgem que “espera o homem certo” carrega em si todo um peso social do patriarcado e, geralmente, também religioso. O engraçado é que — experiência pessoal — , eu perdi minha virgindade aos 19 anos, casada. Mas sempre tive a consciência de que o amor não dura eternamente, tanto que me separei 5 anos depois. Eu fiz isso por mim, porque eu quis, não por questões religiosas, mas sei que trocentas outras jovens, em situações semelhantes, vivendo em casamentos ruins não possuem essa “sorte”, essa consciência de que são donas de si e que o mundo não vai acabar quando a gente se divorcia.

Por outro lado, a única coisa que vejo nas moças que saem com vários rapazes é bem menos a sua exposição social (reputação) e sim a sua exposição a doenças ou a uma gravidez (apesar de toda a proteção do mundo, quando somos novas, estamos mais expostas a esses riscos) ou a um risco muito maior — esse aliado a reputação, o de sofrer algum tipo de violência, já que “a menina que sai com tudo mundo é fácil e não pode reclamar de estupro”.

Dentro do feminismo atual, o que me angustia é a falta de diálogo com qualquer pessoa que não tenha vagina e que tenha mais de 20 anos. Sim, porque a mãe e a avó da feminista de 20 anos não fazem parte do clubinho. E nem a coleguinha de 20 anos que teve filho recentemente. É um feminismo que exclui mães, avós, idosas em geral, crianças e homens. É um feminismo que considero inútil. Eu compreendo o feminismo como uma educação, uma construção social que beneficia todo mundo, inclusive homens, caso eles estejam abertos a esse tipo de diálogo, de forma respeitosa. O machismo quase nasce conosco, porque essa foi a educação que receberam e nos repassaram e o meu desejo é acabar com ele, não com as pessoas que tem um pênis no meio das pernas. Afinal, meninos nascem e continuarão nascendo e o que eu quero fazer é criar o meu filho para que ele respeite as mulheres.

Mas o feminismo das moçoilas de 20 anos quer resolver o mundo da maneira mais fácil: somente com as suas semelhantes e através de memes. Não concordo. Não faz sentido.

No mais, empoderamento é servirmos de exemplo para nós mesmas, você está corretíssima. Não vejo como pode ser empoderador uma mulher posar para uma revista que serve para a masturbação masculina. Empoderador seria essa mulher ser capa de uma Vogue, de uma Elle, revistas que “ditam” o comportamento feminismo e que precisam aprender a inovar nesse sentido, precisam criar coragem para expor suas próprias leitoras na capa e não mais uma modelo de quinze anos com excesso de maquiagem, vestindo tamanho 34. Poucas pessoas são assim.

Muito obrigada por comentar, um beijo!

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