Os problemas afetivos dos outros (nos quais me envolvo).

Situação: por mero acaso, pessoa é abordada pela amiga do teu ex. No caso, a amiga sou eu. Nem conhecia a guria, nem sabia que a guria tinha namorado o meu amigo — conversamos porque ela trabalha numa determinada empresa com a qual mantenho contato. A guria pede o meu Whatsapp após citar o nome do meu amigo. Curiosa que sou, eu dou.

A guria diz que o meu amigo é um mistério, que ela jamais conseguiu compreendê-lo muito bem e que sentia ciúmes de nossas conversas públicas de Facebook (Black Mirror da vida real). Disse que perguntou várias vezes, para ele, se tínhamos algum relacionamento afetivo. E fez a mesma pergunta para mim. Confirmei o que o amigo lhe respondeu, que é a verdade: nunca sequer nos vimos pessoalmente. Nosso vínculo é intelectual, no máximo.

Aparentemente, o fato de eu ter escrito o prefácio do livro do meu amigo (PRATICAMENTE UM ANO ANTES DOS DOIS NAMORAREM, detalhe) foi o ápice para que eu me tornasse pivô dessa relação cuja existência eu ignorava. Meu amigo mora em outra cidade e não me conta com quem ele se deita. Desnecessário, quem quer saber? Eu mesma, não.

Depois que a guria conseguiu ~arrancar de mim todas as respostas~, pediu sigilo e nunca mais entrou em contato.

Eu também passei uns meses sem falar com o meu amigo, até que, semana passada, dialogamos sobre os prós e contras da empresa na qual sua ex trabalha e ele disse: “até tive uma namorada que é de lá”, no que respondi “eu sei, ela me procurou faz um tempinho”.

“Não acredito”, foi a reação do meu amigo.

A menina terminou o relacionamento com o meu amigo. Usou alguns argumentos que foram avisados de antemão por ele, bem antes da “discussão final”. Mesmo assim, ela continuou o namoro e usou isso para acusá-lo. Não entendir?

A moça me disse que decidiu pelo término porque se sentia desgastada em investir numa relação com alguém que “não lhe contava tudo”. Eu, honestamente, penso que o meu amigo é esse tipo de pessoa mesmo, muitíssimo reservada. Eu disse a ele que jamais teríamos um relacionamento, por exemplo, porque eu não consigo conviver com alguém que tanto demora a se abrir. Nesse sentido, a compreendo. Nem me sentiria segura numa relação assim, onde não há troca. Sou paranoica, tenho a impressão de que, tudo que eu disser, será usado contra mim no “tribunal”.

Quando a moça veio falar comigo, parecia bastante fragilizada com esse término provocado por ela mesma. Ficou um tempão sem conversar com o meu amigo.

Há pouco tempo, ambos voltaram a dialogar dialogar amigavelmente, me parece que a iniciativa foi dela. Para ele, o assunto estava resolvido e arquivado.

Hoje, porém, ela decidiu fazer uma DR com o ex. Contou toda a historinha novamente e, no fim das contas, meu amigo decidiu revelar que havia conversado comigo sobre os dois, sem, entretanto, me dedurar pra garota que eu já dedurei antes (desculpa aí, minha sororidade é seletiva mesmo).

A menina se sentiu ofendida, creiam. Disse que o meu amigo brincou com os seus sentimentos, expondo-os para outra pessoa.

Antes de bloqueá-la, meu amigo perguntou: “ué, mas você não fez o mesmo? E ainda foi tratar do assunto com o suposto pivô da história?”.

SORORIDADE, SORORIDADE, SORORIDADE, hein!

A menina deve tá chorando umas pitangas, mas escuta Avril Lavigne que passa.