Sobre ser mulher, no “mais-baixo-meio” literário:

Quando um dos meus escritores favoritos debochou da hashtag que denunciava assédio, dizendo que lugar de denúncia é delegacia e não rede social, achei irresponsável, me manifestei publicamente sobre e só não fiquei realmente decepcionada, porque né?, homem. E homem privilegiado em vários aspectos.

A esposa dele ficou ao lado dele.

Quando meu namorado é machista ou misógino, chamo atenção, deixo bem claro que não gosto, que me ofende, mesmo quando fala de outra mulher. Ainda bem que ele é uma pessoa que me escuta. Inclusive, quando em dúvida, sempre me pergunta sobre os mais variados temas relacionados a ativismos. Nunca é tarde para aprender e fico feliz em poder ensinar à uma pessoa mais velha. Relacionamento não é passar a mão na cabeça da pessoa sempre que ela erra. É totalmente possível estar ao lado de alguém e discordar. Inclusive (sobretudo) publicamente.

Tem muito ~poeta~ ativo em rede social que me detesta, porque eu não (mais) venero o chão que ele pisa, nem considero genial cada versinho publicado. Imitam seus ídolos estrangeiros e mortos, depois falsamente desprezam, quando comparados. E seguem copiando.

No ápice da babaquice dessa gente que se defende com “recalque de quem nunca publicou livros” (como se eu quisesse fazê-lo, se quisesse mesmo, já estaria nas livrarias, pois convite nunca faltou — e que vocabulário de youtuber adolescente, hein?), se envolve numa discussão em que não foi chamado e expõe conversa de mais de um ano atrás, para tentar deslegitimar a minha fala. Parabéns, querido. Ganhou B.O. feito e processo em andamento.

Então, se você é mulher, bonita (geralmente “padrão”) e envolvida com literatura: cuidado. Enquanto você desperdiça seu talento sendo tapete e permanece submissa ao sistema deles, eles acham tudo ótimo, tudo lindo: é lindo o teu erotismo com as palavras, com as fotos, com o cabelo vermelho, com o batom nos lábios, com o decote visível e toda essa desenvoltura de mulher livre que faz o que quer. Na primeira oportunidade que você ousar se contrapor, se prepare para ser a nova vagabunda do meio literário mais baixo. Sua autonomia para se expressar sofre sérias limitações e gira em torno dos elogios que você faz, mas não recebe.

Sei disso porque já vi até mulher me chamando de “vaca” por essas veredas. Porque, para muitos, é relevante militar e denunciar assédio — mas só se for dos outros. Nos companheiros, nos brothers, ninguém toca.

Continue fazendo o que você faz de melhor, depois da própria arte, que poucos homens reconhecem sem te achar somente “comestível” antes: fique em cima do muro ou ao lado deles. Se proteja tanto e quanto puder. É uma boa autodefesa.

Porque você é padrãozinho, fácil de ser substituída. E será.

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Critique um poema que respinga esperma, de quem tem pênis no meio das pernas.
Nasce um ego ferido.
Sempre filho da “puta”.