Indian Pale Ales

Nunca acreditei muito nessas coisas de amor eterno, alma gêmea, metade da laranja. Você sabia disso.

Mas também, vamos combinar que, antes de você, para mim nunca havia feito o mínimo de sentido voltar, ficar, ou sequer pensar em ex-namorado.
E aí veio você fomentando novas formas de pensar cada vez mais nessa minha cabeça que achava que tinha certeza de muitas coisas. Primeiro sobre política, feminismo, cotas, drogas, cerveja, sexo, cinema, música e comida. Quando eu achava que já sabia tanto de você, eu me surpreendia na jornada do autoconhecimento.

As últimas descobertas foram revolucionárias nessas minhas premissas de vida (até então inflexíveis) sobre amor, ex e fim. Agora até bebo IPAs com gosto. Antes elas contorciam caretinhas amargas no meu rosto, que eu queria que parececem que eram contra minha vontade, mas eram de propósito. Pena que não deu tempo de começar a gostar de rúcula e de entender futebol.

Os lugares e coisas que descobrimos juntos sempre carregarão o carinho da memória da sua presença. Seja o transporte incrível de Berlim, o meu aniversário em Richmond, minhas primeiras tatuagens, a sonsisse de Montevidéu, a cerveza de arandano, a fartura dos chivitos, a Cherry Coke, o nosso jeitinho de falar das coisas, as primeiras viagens.

Você que talvez tenha sido o amor da minha vida, que poderia ter sido o pai dos meus filhos ou que passaria a vida comigo sem tê-los. Talvez eu nunca saiba, quem sabe eu edite e reescreva este post para sempre. O sentimento é que ele nunca ficará bom, muito menos bom o suficiente. Ao menos, agora eu tenho esperança de terminá-lo da forma justa e representativa um dia, já que o nosso último adeus foi mesmo o último e definitivo deles. Não aguentava mais me despedir de você de novo e de novo. Tão pouco, conseguiria sequer mais uma vez.

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