Parodoxo Político

Terminada a votação do impeachment no domingo último (17/04), algumas certezas surgem.

A primeira é de que nossa classe política é, para dizer o mínimo, animalesca. Durante a votação, nossos parlamentares comportaram-se como verdadeiros bichos em um tradicional show de horrores.

Não obstante, a segunda certeza é de que a classe política está lá justamente pelo nosso voto. Sendo assim, acredito firmemente que os congressistas são um reflexo perfeito de nossa população.

Veja bem, não estou dizendo que nossa população é “animal” ou ainda se encontra no estado selvagem — presente na filosofia de Rousseau. Afirmo, apenas, que, politicamente, ainda somos quase bebês.


Feitas tais considerações — e partindo do pressuposto que um governo petista não é mais viável — a análise que faço de tudo isso é a seguinte: nossas esperanças para um país melhor estão do lado da pior corja que atua em nosso país.

Apostar que um governo do PMDB é a solução para nossos problemas soa demasiadamente ingênuo. Não é. Diante das circunstâncias, contudo, eu gosto de pensar que Michel “O Conspirador” Temer fará um governo de unificação e obtenha o apoio político para tomar as medidas necessárias para a economia.

Não esqueçamos, por fim, que o governo Dilma só se encontra nessa situação devido a erros cometidos no passado. Ninguém duvida de que caso a economia estivesse “voando”, esse processo de impeachment jamais teria sido deflagrado.

A análise da legitimidade política do impeachment, contudo, fica para um outro post.

Parodoxo, portanto, é depositar nossas esperanças de um país melhor em políticos pouco confiáveis — para dizer o mínimo. Fico, contudo, com uma frase que vi esses dias no reino do Facebook:

“É melhor um final do horroroso do que um horror sem fim.”
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