Um nome que surge

Afinal, por que o nome Ninna?

Você se lembra de quando era criança e ‘brincava de imaginar’ fazendo acrósticos?

Palavras, possibilidades, traços no papel, pega a borracha, apaga, cisma que não está bom, pensa, pensa, pensa, surgem ideias, letras, novas combinações, analisa, faz outra tentativa, transforma, escreve, observa com orgulho, abre o sorriso, pronto: êxtase.

“Olha só o que acabei de criar”, aposto que você pensava quando fazia algo novo. Ainda pensa, né não? Sempre que um fiozinho de pensamento se origina e vai tomando forma até sair da idealização e interagir com a realidade. É bem ali, nesse espaço-tempo entre a ficção e o contato com o real, nesse momento primeiro, que toma conta o deslumbramento. E você retoma o estado de pureza a cada descoberta, contemplando o feito com as sensações da infância. “OIha só o que acabei de criar”, você continua pensando.

Com a Ninna também foi assim. Um nome rabiscado, editado, formatado num acróstico a partir de outros cinco nomes-inspirações-referências: Marina Abramovic, Eliane Brum, Denise Stoklos, Annie Leibovitz, Elza Soares. Mulheres com um olhar tão genuíno que só os olhos lá dos confins da infância conseguem enxergar. Um olhar despido de julgamentos e expectativas. Um olhar de contemplação diante da descoberta.

Um olhar de menina, de niña, de Ninna.

Ilustração por Eti Spack, do estúdio Ilustra que me gusta

Para saber mais

Selecionamos cinco dentre vários trabalhos que representam e contribuem para compreender um pouco mais sobre as mulheres em questão. As indicações incluem materiais para ver, ouvir e ler. Aproveita :)

1. A vida através das lentes

Momentos que marcaram a trajetória da fotógrafa estadunidense Annie Leibovitz e impressões de pessoas próximas são retratadas no documentário dirigido por sua irmã mais nova, Barbara. O longa aborda a atmosfera intimista que a fotógrafa cria ao produzir retratos emblemáticos reconhecidos mundialmente, além de revelar aspectos de sua carreira desde a época em que integrava a revista Rolling Stone e acompanhava grandes turnês, na década de 70. O filme também toca em temas sensíveis como a morte da escritora Susan Sontag, que representou uma grande perda para Annie em 2004 após 15 anos de relação.

2. A menina quebrada e outras colunas de Eliane Brum

“O que eu poderia dizer a você, Catarina? A verdade? A verdade você já sabia, você tinha acabado de descobrir. As pessoas quebram. Até as meninas quebram. E, se as meninas quebram, você também pode quebrar. E vai, Catarina. Vai quebrar”. Esse trechinho faz parte da coluna “A menina quebrada”, que dá origem ao livro homônimo da jornalista, escritora e documentarista gaúcha Eliane Brum. Permeado por uma sensibilidade extrema, o texto é inspirado em um acontecimento que envolve uma afilhada de Eliane chamada Catarina, no momento com um ano e oito meses de idade. No livro, também estão reunidas outras participações marcantes para o site da revista Época. O livro completo está disponível em várias livrarias e sebos, enquanto a coluna “A menina quebrada” está disponível na íntegra aqui :)

3. A mulher do fim do mundo

Em 11 faixas inéditas, Elza Soares concebeu uma das maiores obras de sua carreira. O 34º álbum da cantora e compositora carioca é um grito, é a resistência e a força de quem quer “cantar até o fim”, como ela mesma deixa registrado. Com letras incríveis que vão desde “meu choro não é nada além de Carnaval / é lágrima de samba na ponta dos pés” e passam por “cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”, Elza transita por estilos musicais distintos, como o samba e o rap. O resultado é um disco ousado e transgressor, sempre colocando em pauta questões sociais como a violência contra a mulher e o racismo.

4. Manifesto do Teatro Essencial

Escrito em 1987, o manifesto que fundou as bases do Teatro Essencial permanece consagrado como uma referência internacional três décadas depois. Nele, a dramaturga e atriz Denise Stoklos subverte as premissas do teatro tradicional e propõe algo novo: a atuação solo, despida de recursos externos, para que o ator possa atingir a teatralidade máxima. Quem presencia um espetáculo da Denise sai do teatro em êxtase, tamanho é o impacto que ela causa no público criando experiências únicas e contestadoras. Se você (infelizmente) não tiver essa oportunidade, pode acessar o manifesto e outros vídeos da paranaense.

5. Espaço Além: Marina Abramović e o Brasil

No documentário, a performer sérvia Marina Abramović propõe uma viagem de cura para a dor emocional que tem vivenciado. Passando por rituais em cidades brasileiras como Abadiânia (GO) e Curitiba (PR), ela luta para reencontrar seus rumos — ou criar outros possíveis. Dirigido pelo brasileiro Marco Del Fiol, o filme registra a busca por “locais de poder e pessoas que têm uma energia especial”, como Abramović denomina. A imersão no longa é transcendental, assim como os demais trabalhos de Marina.

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