Corte a longa esperança

Onde você quer estar daqui cinco anos? Não!

A água não correrá mais pelas torneiras. A energia vai falhar e, com o tempo, sumir; Você vai envelhecer, o cabelo cairá e, inexoravelmente, a morte virá; Aquele amor da sua vida possivelmente não pensa o mesmo de você, mesmo que pense, as estatísticas mostram que a chance do romance acabar é maior do que morrer de braços dados.

Suas contas, caso você não seja um burguês safado, vão atrasar, cedo ou tarde, e você terá que apertar para continuar sobrevivendo. A grande maioria de vocês vai viver trabalhando apenas para poder comer — e coisas nojentas. Você pode ser atropelado, descobrir um tumor que vai te levar a morte ou ter um ataque fulminante.

Neste mundo, você pode pensar que a sorte não está ao seu lado. Ou que sorte simplesmente não existe. Que sua vida é uma merda por ser uma provação de deus para te fazer merecedor de glórias. Ou que deus talvez não exista. Ou que ele existe e não gosta de você.

Você pode tentar, durante anos, sentir alguma vantagem em ver o lado ruim das coisas. Talvez você acredite que será livre se viver ao lado do desespero: lá não se pode experienciar nada pior.

O caminho natural, após a confirmação da ineficácia deste método, será tentar vislumbrar apenas o positivo das possibilidades; fazer o que se gosta, família com saúde, um grande amor, tranquilidade material. Mas isso te cegará. Você terá esperança — uma antiga zombeteira que aliena, emburrece e imobiliza. Ter esperança sempre vem precedido de esperar, aguardar, caso aquela sorte exista. E nada acontece em um mundo onde não há movimento. Fuja.

Veja bem, não insinuo um vazio-carpe diem. É um um niilismo existencial profundo. Uma negação de uma essência para a humanidade, para si. Liberdade não é poder-fazer dentro de um espectro de possibilidades. Liberdade é continuar existindo como-se-é independentemente do contexto.

A proposta é polêmica: coloque o abstrato no fluxograma e tente diagramar a falta de ordem. Ignore os prematuros dois mundos possíveis, explicar é definir e limitar, confundir é ampliar. Divida suas dúvidas entre coisas que você pode lidar e coisas que não há controle; Acredite, o segundo grupo é maior. Detenha-se no primeiro ou ignore o que foi lido. Ou não.

Não há motivos para você ter nascido, para ter vivido até agora. E isso não é necessariamente ruim. Caos — para os antigos — sempre gerou a partir da cisão. Rompa com o que você acha que é o mundo, aquilo que você acredita, destrua o predefinido e contemple o novo. Exista, por todos os meios possíveis.

A ideia é que não faça sentido. Nada.
Até que o sentido se faça, sem chiados.