A confusão é a sua matéria prima

Sei que é natural a confusão, não sabendo resolver as questões matemáticas a gente parte para as palavras, mas elas diferentes dos números, não dão conta de respostas precisas ou aproximadas. As orações tentam explicar teorias, exemplificar sentimentos, descrever conflitos e categorizar personagens, no caso, cada um de nós.

Falham.

Seu erro (o da palavra) está em não ser a realidade, dessa nada daria conta. Talvez a grande frustração esteja em querer expressar o que se sente na totalidade e com verossimilhança, mas já adianto, é impossível. Nada, nem absolutamente nenhuma criatura humana ou não, entenderá seu coração além de você mesmo. Entender não é decifrar, é apenas um ensaio de olhar com sinceridade pra si, ver defeitos, acertos, e aceitar os desejos.

O caos precisa ser aceito, e se for para passar por ele, que passemos. Estive por muito tempo pavorosa de enfrentar as incertezas, as dúvidas, e elas foram como ratinhos roendo minhas beiradas. Me senti plantada, não como quem dá frutos, mas como quem se agarra. Se agarra a esconder cada dor, para curar. Bobagem.

Aceito que pertenço a algum lugar, não exatamente ao lugar que estou agora, mas aquele que quero estar, que num futuro se diluirá também. A música vai subir depois dessas palavras e vou continuar dançando. Você me olha e não me compreende, nem precisa. Compreenda-se, mas não deixe de se aproximar do mistério que é o universo do outro, tão perdido quanto você.