Entendo o clima que inspirou seu texto. Estudei num campus de universidade pública e tenho saudade da sensação de estar lá. Parece que o tempo passa diferente no campus, principalmente nas férias.
Entendo também essa angústia diária. Compartilho dela. Há um filme, em inglês chama-se Revolutionary Road ou algo assim. Nele conta-se a história de um casal que percebeu esse vazio existencial da vida. Os atores são os mesmos do Titanic – o mesmo casal, mas situação oposta. Em determinada cena, eles conhecem um suposto “louco” da região. E esse louco diz a eles que muita gente percebe o vazio, mas poucos percebem que o vazio é inexorável. Melancólico e verdadeiro em todos os tons de cinza.
Realmente ser um pouco mais ignorante faz falta, mas não sei como seria minha vida sem meu repertório. Aprendi alguma coisa naquele mesmo campus tranquilo do qual sinto falta. Uma das coisas mais legais que aprendi é que o mais bacana de ignorar um assunto, ou de nunca ter lido algum grande autor, é poder aprender algo novo. Nunca leu Camus? Maravilhoso, você tem a chance de ler Camus pela primeira vez. E do prazer da primeira vez, eu não abro mão.
E assim vamos levando. Cada ignorância tem seus prazeres. Quem fez o gol de Portugal mesmo?
Evoé!