pra apagar

tem dias que

queria bater no seu rosto,

ter minha pele intacta de novo

do toque na tua, tão áspero

buraco

de

minhoca.

quero chorar todo o sal

de me subornar pra te ver tão bonito

me apagando

e eu nem existi.

o tempo todo me convenço

aconteceu com minha irmã, não comigo

e sou filha única.

tremer de raiva de você foi o que sobrou

depois de tanto coração encharcado

não era a minha cama que você deitava, não era meu nome que você amaldiçoava

não era eu quem você

reduzia a nada.

mas permanece essa voz na minha cabeça

dos seus desacatos

e penso

que sou tão filha da puta

que se um dia a gente transasse de novo

eu terminaria rápido e te deixaria nu e vulnerável

pra me vingar um pouco

ainda penso

em virar a cara no meio da rua

fazer uma cena

das cenas que tu fez aqueles anos

e engoli, quente de vergonha.

ainda penso

como era bom

o teu amor quando vinha

e pensava

ter encontrado a terceira

dimensão.

astronauta da saudade,

tenho quase ódio de você

quero te cobrar o tempo

e o respeito perdido

e sinto tanto medo

tanto tanto tanto medo

de a culpa toda ser mais minha do que sua

disso fujo.

tanto medo

de se te ver cruzando a avenida

meus ensaios irem pro espaço

e eu me revire

de estranheza

de ânsia

de desconhecer

e corra muito muito rápido

pra me proteger

de invocar tua sombra

muito muito rápido

de uma dor que dói por tudo

mas já dói surda e oca

por ser quase nada

pelos teus artifícios

todos tão bem planejados

por me envolver na tua confusão

e ser a responsável por aplacar teus

bloqueios emocionais

não te perdoo

não me perdoo

pelas mentiras

e a covardia

perco o sono

ainda

é a primeira coisa que te escrevo

e já faz tempo

sou mesmo quase tão ruim quanto você dizia

alguns dias penso que sim

e também te traí

e também te fiz sangrar

em alguns dias quase

concordo contigo

mas sou tão maior quanto você nunca nem ousou imaginar

e por isso nem te culpo

que duvidei também

a minha força

bruta

se faz

enorme num milésimo de segundo

ecoa

colo meu ouvido

pra apagar

o cínica louca exagerada mentirosa

traidora falsa vitimista.

um dia paro de tremer

te vejo na rua

constato

vazio agudo

porque já não há o que falar

que não soe tão repetitivo

e nunca mais

me submeto aos gritos.

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