Monopólios em livre mercado?

Nope

Uma dúvida frequente dos que não estão muito familiarizados com a economia austríaca é a questão dos monopólios. Muitos afirmam que o estado tem, dentre várias obrigações, a de nos proteger deles, e que são péssimos, independente de quaisquer fatores. Existem diversas contradições em argumentos deste tipo, além dos clássicos equívocos a respeito do tema, que pretendo esclarecer ao longo deste artigo.

Inicialmente, vamos definir um monopólio. Em economia, um monopólio é um processo caracterizado por um agente da economia (seja empresa, empreendedor, acionista) que detém o uso exclusivo de um determinado recurso, e que por ser o único proprietário, elevará o preço, simplesmente por não haver concorrência. Em linhas gerais é um termo bem familiar que remete à exclusividade sobre algo.

Muitos não compreendem que, para alcançar um patamar financeiro suficiente para compulsivamente comprar concorrentes, as empresas precisam primeiramente lucrar. O lucro é um indicador econômico, um número que representa a prosperidade da corporação. Para que ele seja alto, a empresa precisa necessariamente satisfazer os desejos do mercado da melhor forma possível, minimizando custos, oferecendo produtos mais baratos ou até mesmo desenvolvendo diferenciais inovadores. Lucrar é uma grande recompensa para os empreendedores que poupam, se abstendo de prazeres momentâneos por uma possibilidade futura de servir as pessoas. É o que chamamos de incentivo: uma recompensa para que alguém faça algo positivo. Beneficiando por consequência muitos consumidores no caminho, que optam por voluntariamente contratar seus serviços e adquirir seus produtos.

Em suma, para que uma grande empresa se forme, é preciso que ela prospere, e para que prospere, precisa ser eficiente no seu serviço, satisfazendo seus clientes.

Quando uma empresa atinge um tamanho considerável, está estabelecida no mercado, possui experiência e a confiança dos consumidores, ela fará de tudo para manter esse status, e para isso, precisará manter a qualidade do seu serviço. Se não o fizer, estará fadada ao fracasso exponencial dentro do sistema, onde clientes e acionistas rapidamente a abandonam, migrando para um concorrente de melhores condições. Ninguém, nem mesmo os próprios funcionários, acreditam ser aceitável fazer parte de uma corporação que presta um serviço ruim, muito menos uma que seja criminosa.

Um dos privilégios do homem rico é poder se dar ao luxo de ser insensato por mais tempo do que o pobre”.

A única forma de manter um monopólio é pelo uso da violência, impedindo fisicamente de outras empresas concorrerem, como o estado faz (e é por definição o monopólio da força e da violência), por exemplo, com a Petrobrás e as telecomunicações via Anatel. Comprar as concorrentes pode até ser uma prática comum, geralmente com o objetivo de fusão, mas é com certeza um movimento arriscado, como qualquer investimento. E se a empresa faz um bom trabalho, por que comprar outras? Seria simplesmente desperdício de capital que poderia ser investido em expansão, pesquisas e aprimoramento, uma maneira bem mais eficiente de se manter no topo das preferidas dos consumidores. Além disso, há a opção, por parte das empresas menores, de simplesmente não vender a sua empresa e tentar concorrer diretamente com as grandes, como é o caso de muitas mídias alternativas, que vêm ganhando um gigantesco espaço perante as mais antigas do mercado.

A verdade é que: não existe monopólio sem o estado. O estado é o único meio pelo qual é possível “legalizar” regulações, interferências e proibições, favorecendo aqueles que corroboram com o aparato estatal, gerando assim um ciclo de corporativismo que se beneficia da falta de concorrência do mercado, onde os consumidores só têm a perder.

São inúmeros exemplos possíveis: um deles é o próprio dinheiro. Já se perguntou porque somos obrigados a utilizar o real no Brasil? Porque é proibido que se use qualquer outra moeda, é o famoso “curso forçado”. Poderíamos por exemplo, utilizar o dólar, a libra ou o euro, principalmente por serem moedas mais valiosas e estáveis do que o real, mas somos impedidos por ameaça de violência a fazer esta escolha.

Inexplicavelmente, para os críticos do livre mercado pensamentos apocalípticos são constantes. Muitas são as indagações do tipo “E se uma empresa fornecer um bom serviço, ficar bilionária e usar todo o dinheiro para comprar armamento militar e dominar territórios?” Parece familiar: uma organização de pessoas que obriga outras a comprar seus serviços sob ameça de violência… é um estado. É muito improvável que ocorra devido a fatores desde iniciar uma empresa, concorrer no mercado, superar competidores, acumular capital, investir de forma correta para então, somente após anos, ter a possibilidade de se tornar criminoso, destruindo tudo que foi construído. Mesmo assim, seria desonestidade negar completamente.

Concluindo, os monopólios só são possíveis na presença de um estado, que utilizando da força e da violência, impedindo que concorrentes entrem no mercado, para que as empresas filiadas ao próprio estado se auxiliem de forma cíclica, causando males apenas aos consumidores. Em um livre mercado é possível, embora extremamente improvável que se forme um estado.

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”.