Cartas que te escrevo

Peony Yip

Se soubesses a beleza que há em fechar os olhos e navegar pelo mundo de quem ama, sem medo da chuva, dos ventos de tempestade, não navegarias mais nas profundezas escuras de mares calmos, ao som de melodia nenhuma, com a segurança da âncora imaginária que se desfaz com simples sopro de dor. Se soubesses que o amor é a âncora real, que o som que embala o mar do amor sussurra o teu nome e quer acarinhar-te, talvez não sentisses medo de amar em liberdade. O amor é nuvem que voa minuciosa rumo ao paraíso astral incondicional. O eterno querer bem. Desvias teu barco das rotas sem rumo e acreditas que o amor é a salvação do limbo, do nada em sua perfeita condição de vazio sóbrio, perdido em anestesia. Busco forças para lutar por tua alma, busco a essência da flor, o coração do nosso mundo em comum, a intenção mais bonita para fazer-te vivo em mim e viver para sempre em ti. Mesmo que hoje queiras navegar de olhos fechados para a beleza da paisagem de cor magenta e verde, das flores entre toda a natureza que cerca o teu mar. Vou esperar-te no cais com sorriso e brilho de amor quando quiseres descansar das turbulências da inércia de ser você perdido no teu tempo, ao som de gaivotas e das notas do meu silêncio.