Admirável Chefe Novo

Aceleram-se as engrenagens do relógio; este parece tiquetaquear mais rápido. O despertador me informa a hora de ligar na tomada. Levanto, trabalho. Trabalho, e teimo, e limo, e sofro, e suo.

O chefão aparece. Ele está descontente. Seus passos imponentes ecoam pela garagem da oficina, observando cada máquina em ação. Os passos cessam. De repente, sabemos o que está por vir. O chefão estende o indicador, aponta para o mais fraco. É a lei da seleção natural.

As mãos de meu colega se unem e seus joelhos fraquejam; ele implora para ficar. Tem três filhos e contas para pagar. O chefão apenas cruza os braços e o encara de cima. Seus serviços não são mais necessários. Pega o rapaz pela gola da camisa e chuta-o para fora. Limpa as mãos uma na outra; livrou-se de um produto fora da validade. Com um último grito de autoridade, o chefão vai embora, deixando as máquinas em ação por mais algumas horas.

Do canto da oficina, ouve-se um grito. Fulaninho cortou o dedo. Dois ou três camaradas correm para o infante, tentando abafar seus soluços. Fazem um curativo rápido, e de volta ao trabalho. Tempo é dinheiro!

Dezoito horas depois, o chefão reaparece. É hora de ir para casa, ele informa, mas exige a presença duas horas mais cedo no dia seguinte. Com suspiros e olheiras, assim trotam meus colegas, cada qual para sua cama. Duas horas de cochilo, e o despertador me informa a hora de ligar na tomada.

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