Lobotomias


Enfie uma agulha em meus olhos e faça as memórias sangrarem, uma por uma, sem pressa alguma, até que por completo escorram, deixando-me tal qual uma tábula rasa. Então, somente então, colete o sangue num tinteiro, molhe nele a pena sem pena, e escreva-me uma nova história. Reconstrua-me, reinvente-me, devolva-me o poder de me libertar. Lobotomize-me sem pena nem dó. Estou clamando pelo oblívio como um abstinente clama por ópio. Não me negue aquilo de que mais necessito, pois de pulsões censuradas por um superego que não me pertence, eu já tive o suficiente para neurotizar. Esvazie-me. Quero ser raso e leve o suficiente para tornar a voar. Dê-me o ponto final, e eu desenharei um novo começo. A resposta está na ponta da agulha.

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