A vida não é tango

Talvez meus escritos, onde reinas e sobrevoas, absoluta, sobre todas as letras, já dessem para cobrir o Caminho de Santiago. O tamanho não é o que importa, e sim as lições que eu posso tirar, como faz um peregrino. Sei, também, que são palavras vãs, ordinárias, restos de confetes de um triste Carnaval. E, mesmo ordinariamente, tento falar desse amor sem ser repetitivo. Não sei, por quanto tempo, Julieta suportaria Romeu contando a mesma história do mesmo jeito. Já dizia o poeta: “O amor é uma história simples contada de várias maneiras”. No que eu digo: de tédio também morrem as flores. Mas, coitados: com tantas evidências, os homens não mudam.

Apesar das dificuldades, desse caminhar, sou grato por poder admirar as belas paisagens; paisagens que são belas posto que estão cobertas pela tua presença. E me vem, à lembrança, o mestre Van Gogh. Como seriam mais belos, seus girassóis, se entre eles estivesse você. Não tenho dúvidas: Van Gogh não teria morrido na miséria. Tento, nesse caminhar, entender, por meio da reflexão, o que quer a vida de mim; para que lado bate o coração. Só tento. Nada reclamo, nada peço; não me serviria uma felicidade de encomenda. Nesse tentar, alguns céus se abrem, outros se fecham. E, como não poderia deixar de ser, alguns infernos me chamam. Só me resta caminhar. Só me resta caminhar e me submeter aos improvisos da vida. Afinal, a vida não é tango. É jazz. E nem sempre é uma festa.

Norton Ferreira.

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