Anjos Pagãos

Vivaldi, licor polonês, Virginia Woolf… E, no entanto, tudo em você e tão simples, tão belo e tão natural… Natural como as sobrancelhas de Frida Kahlo. Tudo encanta, em você: sua saia longa, cor de chumbo; sua regata preta compondo com o seu rímel, e um minúsculo elefante como pingente. Ah, minha bela menina, você é uma raridade das artes, tens o fogo nos olhos e o brilho nos dentes. Serias tu, meu anjo serpente, a Beatriz de Dante?

Jamais saberei se você veio de uma estrela ou se és fruto da minha imaginação. Tudo em você é especial. Sua paixão por Virginia Woolf é admirável, por você assisti “As Horas” por três vezes; realmente é um belo filme. Sem falar nada, você mudou minha escrita, me fez escrever mais pausado, com calma, como quem sopra bolinhas de sabão. Em verdade vos digo: tens a placidez da água, da água que esconde o vulcão e o maremoto. Ah, minha querida, as palavras pedem para sair, e eu vou deixando. Em segundos tudo se transforma. E renascemos como anjos pagãos. Não olhemos para trás. Já somos estátuas de sal.

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