Carta a uma Lolita
Minha Lolita,
Ah, minha menina, impossível não te ver na multidão. Seu rabo-de-cavalo faz seu jeito Lolita de ser. Não são apenas as baianas, “Toda menina tem um jeito que Deus dá”, e o seu é belo e perfeito. Passaria noites, minha Lolita, horas, dias e a eternidade assim, só olhando para você, e só você. Sim, eu estava calado, quieto no meu canto; sou peixe de águas profundas, mas também mergulho no sol e navego na lua. Sou um homem feito, com remendos de menino, não desaprendi a sonhar. Não sei se seria eu, minha bela Lolita, mas sei que não seria aquele do bar, que te fará feliz. Não vi muito zelo diante de rara beleza como você. Assim são os homens, dispersos e maus amantes. Flagrei você me olhando. Seu olhar está aqui, guardado comigo. Saber que você existe já é um chuvisco de esperança nesse devassado coração. São os acasos da vida, porém me senti como um cão proibido de salivar. E saí por aí, chutando a existência e pensando em você. Saiu a lua, e verteu-se a lágrima da derrota. Fui para lá navegar.
Norton Ferreira.