Dia dos Enamorados

Ah, minha menina… Sei que não vou poder te presentear no Dia dos Enamorados, posto que enamorado sempre estarei. Muito embora, eu sei, falta não fará; sequer irás te lembrar. Não deveria, eu, sequer, também, escrever isto aqui: pedreiro que constrói a parede, sozinho, quando termina vai embora. A metáfora pode não ser das melhores, eu sei, mas ganharia contornos de alta cultura se dita por Shakespeare. Assim é a vida. Mas, se por acaso, seja por vaidade ou de mentira, e até por desdém, quiseres ver o presente, lembro-te que já tens de sobra: são muitas, as frases; são muitos; os poemas, e são muitas as crônicas. Escolha uma, ou duas, ou trinta, onde és louvada e eternizada com a mestra das mestras: a palavra.

Põe num cantinho do teu coração, que prometo ficar quieto. Ouvir sua respiração, para mim, será como ouvir o cântico dos anjos; ou como ouvir o mar chorar, de tão linda que tu és. É pedir muito, reconheço. Deve ser o desvario da tarde, prenúncio da noite escura. Se, por acaso, quiseres, também, divertir-se com as amigas, mostrando um dos meus escritos, toma o cuidado de mudar o nome do autor; põe um nome mais pomposo, que impressione, de preferência que seja de um francês. De toda forma, minha menina, são palavras de um eterno enamorado. É o que tenho. É o que me sobrou nesta vida.

Norton Ferreira.