Ecos e sussurros

São muitos, os ecos, que reverberam, ricocheteiam dentro de mim. Tudo do vivido e do por viver… Como se não bastassem, eles, os ecos, há os sussurros do mundo; para o bem ou para o mal, tentam me puxar ou me levar. É quando penso na minha Odisseia, ir para lugares longínquos, lugares nunca dantes navegados. Sinto que minha alma não me pertence, e sim ao mundo. Vendo essa calmaria, essas marolinhas no mar, algo me diz que Éolo, deus dos ventos, está de mau humor. Esperar que ele, Éolo, melhore, e me traga ventos mais fortes, que me lancem num mar sem fim. Teria, eu, paz? Me livraria dos sussurros do mundo. Mas, e os ecos? Esses que ricocheteiam, cá, dentro de mim? De que adiantaria, essa fuga, e cair no lugar-comum?, ser prisioneiro dos açoites do pensamento? Sábios eram os gregos, que, na sua mitologia, criaram um deus para cada coisa. Como para cada síntese existe uma antítese, é possível que, para cada deus, exista um demo. Meus ecos precisariam de todos eles. Ecos que já foram vozes, vozes que eu já não escuto mais. Mas que gritam aqui dentro de mim.

Norton Ferreira.