Hoje e Desde Sempre

Dos meus defeitos, hoje eu cuido melhor. Trato-os com reverência, até. E devo, esse cuidado, aos de fora, aos que têm régua para tudo. Ao decepcioná-los, sinto que melhoro em alguma coisa. Não quero afinidade pelo o que eu tenho de melhor; “melhor” no entendimento deles, os de fora. Para mim seria a morte. Hoje eu quero afinidade pelo o que incomoda: dizer “ui” quando todos dizem ai”. As réguas da vida começam assim: “Digo isso para o seu bem”. E, no entanto, fizeram e fazem coisas pior que eu. Ao cabo e ao fim, as pedras da vida sempre foram só minhas; nunca as rebolei sobre ninguém. De pedra em pedra, sou o que sou. Nada além do que sou.

Hoje eu sei o que os sábios já sabiam, dessa fraqueza e dessa miserabilidade humana. Hoje eu vejo o mundo para além das suas maldades. Apesar das pedras, nada endureceu meu coração. Hoje me olho no espelho e digo “Bom dia, meu adorável idiota. Que Deus te livre dos pseudos intelectuais, dos invejosos e blefadores. Dos donos da verdade e dos salvadores do mundo. Dos amores ralos e rasos embalados ‘em pano de guardar confetes’. Andas, sempre, meu estimado idiota, pelo lado do sol, para que os raios te iluminem. Não andes pela sombra, meu idiota gentil. A sombra é a porta das trevas, caminho da preguiça e descanso da erva má. E nunca se esqueça: não queira ser o que tu não és”. Hoje eu sei o que eu quero e quem eu sou. Hoje e desde sempre.