Juras

Sempre me perguntava se eu merecia você, e pedia aos céus para que não a deixasse sofrer, mesmo que isso me custasse a vida. Lembro-me, bem, do dia em que você chegou, com o seu sorriso manso e sua doçura; passos flutuantes e olhar de mulher árabe, e perguntou-me como eu queria o seu cabelo: com tranças, rabo-de-cavalo ou solto como uma Sereia; eu disse “Os três”, e você veio com um lenço amarelo cor de ouro, grandes argolas e batom vermelho. Perguntei: “Minha linda cigana, de onde você vem?” E você respondeu: “Venho do Norte da Espanha, fui enviada para ler o teu destino, e se terás felicidade”. Dei a mão direita, e ouvi: “Tens em tua vida uma mulher alta, branca, cabelos longos e olhar de mulher árabe. Neste momento usa um par de argolas grandes, que é louca por ti”. E caímos numa grande risada, num abraço forte e as lágrimas rolaram. Nada mais dissemos. As lágrimas disseram tudo. As lágrimas juraram por nós.

Norton Ferreira.