Laços

Assim como fez Sherazade, em “As mil e uma noites”, que todo dia contava uma história para o Rei Shariar, para que ele não lhe matasse, e quisesse ouvir a próxima, conto minhas histórias para que você, também, não me mate; que eu sobreviva, pelo menos, como um traço invisível no seu coração. Sei que, muitas vezes, chego à beira do precipício, dado o meu fracasso em te encantar. Mas tento, retento e não me importo se me arrebento.

Sei, também, que me faltam a elegância dos mestres da escrita e o saber dos doutos; conto com o que eu posso contar. E só. Se me faltam alguns bons predicados, me sobram querer e dedicação. Desculpe-me se, em algum momento, por descuido meu, te fiz os olhos marejar, se por acaso teus olhos rasearam d’água. Não era essa a intenção. Mas uma coisa é certa: a vida só enlaça o que tem laços.

Norton Ferreira.