O lobo e a lua

Pedir perdão é pouco, eu sei. Você reclama porque esperava mais uma crônica na lua cheia, e eu falhei. Qualquer desculpa não serve; uma lua perdida é para sempre… Mas, não há de ser nada, procurarei outra lua, noutro planeta, e ouvirás o meu uivo. Sim, te acostumei mal, e lobo para sempre serei. Não sei onde estava com a cabeça, minha menina. E, à conclusão que eu chego, é que todo lobo tem seu dia de vira-latas. O que não é de todo mau, afinal, o vira-latas é um dos seres mais dignos deste velho e pobre mundo. De todo modo, sei que não tem perdão, não se provoca a ira dos deuses. O bom amante é amante em tempo integral; a ele, ao amante, não é permitido o esquecimento.

Revendo as crônicas escritas em dia de lua, de fato são as mais bonitas, as mais calorosas. Não por maestria minha, e sim por inspiração que vem de você, que é linda e eterna. Por você já criei céus, cavalos de fogo e chuvas de rubi; lágrimas de prata e arco-íris vibrantes e celestiais. E assim será, minha querida, é o que eu tenho para te oferecer. Fazer de ti a perfeição da mulher, o orgulho da natureza. Você sentiu falta do meu uivo, que é de fato imperdoável. Falarei com o Pajé, que é versado nessas coisas de lua, e traremos uma só para você. Estarei lá, tal qual um lobo tenor, em cima de uma pedra, uivando com todas as minhas forças. Olhos fixos no céu. O pensamento em você.

Norton Ferreira.