O que mais pode ser?

É como um súdito que deve agir todo homem que encontra sua rainha. Lição que eu aprendi tarde, tardiamente tarde. Se rainha você já era, agora te fiz princesa: princesa das Astúrias. Tudo o que é belo me lembra você, quero para você. Sei que não te encantam, esses títulos de nobreza, posto que já reinas em meu coração; coração sem castelo, sem ouro nem dragão, é verdade. Tristemente verdade, mas reinas. Conheço sua simplicidade, e gosto que seja assim. Mas é minha missão te fazer eterna, e assim farei com zelo e fidelidade. Ontem, à noite, saí furtivamente, e fui ao Principado das Astúrias, terras de Espanha. Espírito apaixonado voa nas asas de gigantes.

Havia dias que essa ideia revoava por minha cabeça, tal qual mariposa em torno da luz. E eis que a ideia estava certa: o Principado também é um conto de fadas, e logo te fiz princesa, embora príncipe não sou. Escolherás teus verões e teus invernos, teus outonos e tuas primaveras, entre as montanhas das Astúrias e o mar de Santorini, onde já te fiz rainha das ilhas gregas. Continuarei plebeu, posto que não tenho a elegância nem a fineza dos nobres. Me tornarei sombra, se preciso for; feliz estarei se eu estiver por perto. A alma sabe o corpo que lhe veste. E me vem a canção: “Se isso não é amor, o que mais pode ser?”

Norton Ferreira.