Pleno

Coração amargurado é terra infértil, nada floresce. Desse mal, eu não sofro nem sofrerei. Tudo valeu a pena: as lágrimas, o choro e o gozo. Dos meus amores só eu sei, e só elas sabem de mim. Tudo foi por amor. Não importa se por meia hora, dez segundos ou dez anos. Pleno. Plenitude. Gosto desta palavra: pleno. Total. Definitivo. Por inteiro. Inteiro em rosas, cama e poemas. Pleno em carinhos e cuidados, de adoecer junto só para cuidar da mulher amada. Já roubava rosas antes de Cazuza falar em “mil rosas roubadas” Sou lírico e lúdico, qual é o problema? Faço banquetes com sacos de pipocas, só para lhe deixar feliz como uma criança. Ponho nariz de palhaço e ando como o Charles Chaplin, só para ver o sorriso mais lindo do mundo. Pleno. Pleno como os amantes têm que ser. Sem medidas, sem meias palavras. Coração pleno é fonte que jamais seca, só transborda. E o meu cada vez mais transborda você, que aparece entre nuvens e cavalos pretos celestiais, ornada com diamantes e flor de laranjeira. Amar é bordar estrelas no céu, tendo você como a lua. No mar vejo teu reflexo. E quero bebê-la. Sorvê-la como o néctar da vida, da vida que ama. Em toda a sua plenitude