Seu nome

Se eu não mais te ver, continuarás aqui, soprando a chama dos meus vulcões. Seguirei minha lenda, de viajante do universo e contador de histórias. Estou pensando, até, em fazer uma ópera, e levar teu nome para todas as galáxias. Tentarei cumprir, bem, o que está designado. Já não brigo, mais, com meus demônios; ganharam a batalha com meus anjos. Meus demônios moram do outro lado, onde ficam as emoções. Os anjos, do lado de cá; lado da razão. Melhor assim: melhor ser feliz sem razão. Forte é o coração sabedor de uma paixão, e insiste em bater.

Eu não queria escrever isto aqui. Faz dias, na verdade, que eu escrevo e não publico. Também ainda não sei o porquê. Uma hora saberei. Mas, hoje, eu vi uma criança, linda, parecida com você. E pensei: “Podia ser nossa filha”. A criança estava vestida de coelhinho, daí percebi que era Páscoa, e me deu vontade de desejar uma feliz Páscoa para você. Não perguntarei, ao meu coelhinho, o que ele traz para mim; sei que ele não dirá a mentira que eu gostaria de ouvir. Mas, o que houver de bom, que ele leve para você. É o que desejo. Foi assim, e mais uma vez meus demônios ganharam. Ganharam e me derrubaram: a criança não só parecia com você, como também tinha o seu nome. Paixão são partículas que vivem no ar. Só me resta respirá-las.

Norton Ferreira