Somos Bons de Língua

Um amigo jura que viu uma placa numa casa, onde estava escrito “Ensina-se carioquês”. Custei a acreditar, mas… Nunca se sabe. Não sei bem com qual objetivo alguém faria um curso de “Carioquês”. Uma das belezas da nossa língua está na diversidade de sotaques e regionalismos. Assim como existe o carioquês, existem o “baianês, o pernambuquês, o goianês o gauchês e outros “ês”. O que eu estranho é quando alguém estranha essa beleza portuguesa com certeza. Normalmente, e isso já observei, esse estranhamento vem de uma parte menos culta e do intelectual mala e pedante, como se todo pedante não fosse um mala, querendo demonstrar, com seu estranhamento e seu sotaque, uma certa superioridade. Com suas impertinências, essas pessoas, além de não serem bem-vindas, deixam de saborear nossa riqueza maior, expressa na diversidade de sotaques e palavras.

Achar que o seu sotaque é superior é resquício da senzala, do dominador. Ao inferiorizar uma maneira de falar, em outras palavras é dizer que a sua região está acima, é superior àquela. Apesar de que, é bom que se diga, a televisão padronizou a fala do brasileiro. E isso é ruim: língua é cultura, é o bem de um povo, os regionalismos têm que ser preservados. A riqueza está na diversidade, e não na padronização. Ademais, meus estimado, a linguagem do amor é universal. Se beija em qualquer língua.