Sonho

“Da chuva quero o cheiro e a água para tuas flores. Quero o chão molhado e corpos nus. Vento na cara e braços abertos para a liberdade. Bebo na goteira das tuas pálpebras. Água que desce entre os teus seios e banham tuas coxas. Bendita água que emoldura o vestido no teu corpo e banha tua morenice. Vai, menina, abre os abraços. E roda, e roda para a vida; sorria para os deuses, celebra o banho divino. Vamos para o riacho, ouvir o som da natureza. Água que bate nas pedras, transformando-se em pingos de estrelas. Depois vamos tomar um café, quente e forte. Assim é a vida. Depois do frio, o calor dos corpos.” Amar é habitar vulcões. Este foi o sonho, Corvo Louco, que eu tive com ela. Esse olhar triste e o sorriso de Monalisa me encantam. Me encantam e é um doce mistério. Me vejo diante da velha máxima da Esfinge: “Decifra-me ou te devoro”. Que me devore, logo, e diga o que quer de mim. Vou sonhar de novo, minha menina. Mas não deixe de dizer.

Norton Ferreira.