Um bom texto tem um quê de mulher

Cada texto tem seu leitor, não há como negar. Mas, penso, que o ideal é conhecer as regras e quebrá-las. O excesso de academicismo, os velhos cânones, tem produzido textos insípidos, incolores e inodoros. “São tempos de rupturas”, já dizia, uns trinta anos atrás, Caio F. Abreu. O texto deve ser como a mulher; tem que ter um quê de imperfeição, um pouco do imponderável e a surpresa das descobertas. Como na mulher, um bom texto deve ter curvas sinuosas, abismos temerários, sem direito à placa de sinalização. E o leitor, rei supremo, quer pisar fundo com o autor; e será o primeiro a pular caso perceba que não está a bordo de uma história interessante e bem contada. Desnecessário dizer que isso não é regra, e sim o que penso.

Veja o que disse, um dia, nosso bom poeta, no Soneto da Mulher Ideal: ““Uma mulher tem que ter alguma coisa além da beleza/ Qualquer coisa feliz/ Qualquer coisa que ri/ Qualquer coisa que sente saudade.” Assim deve ser um bom texto. No que eu acrescento:

O texto tem que valer cada palavra.
Cada palavra tem que valer o estilo.
Cada estilo tem que valer o texto.

Norton Ferreira.