Sobre a linha tênue entre universo particular e ilusão

É mais fácil lidar com a carga do próprio universo, ainda mais se a gente passar a se enxergar cada vez menor. Pelo menos é a lógica que insiste em ficar depois de todas as outras irem embora, junto com o sentido das coisas e a noção de propósito de vida. O menor em todos os sentidos — menos responsabilidades, menos relações, menos influência; enfim, ser menos — parece confortável aos meus olhos, e sempre que dá me rendo ao pensamento. Acontece que viver de menos traz de menos. O isolamento não me salva, nunca me salvou; a superproteção que tenho sobre mim nunca me permitiu ter um desenvolvimento, seja social ou espiritual. Talvez o medo da intensidade das minhas reações me prive de viver realmente cada fase da minha vida, de lidar com os seus ciclos e extrair as lições que o universo tenta me proporcionar com as situações nem tão confortáveis assim. Ser movida pelo medo de si não é tarefa fácil; saber da própria capacidade de sentir e continuar indo atrás dos sentimentos é um ato de coragem (por mais que pareça burrice às vezes).

Quero construir as bases da minha vida com concreto; me enxergar forte como enxergo Frida Kahlo, Anne Frank, Nise da Silveira e minha mãe. Quero me bastar para poder considerar o resto apenas uma soma, e não parte do meu todo. Quero sentir por mim o amor dilacerante que senti por cada ex. Quero sentir merecida toda e qualquer conquista, sem a falta de amor próprio camuflada de modéstia a me atrapalhar. Quero me olhar no espelho e me enxergar como símbolo de minha própria resistência e luta. Quero ser a mulher forte e única que nasci, antes de ser limitada e reduzida pelos dizeres do mundo. Quero sentir paz ao conviver comigo mesma, dentro do meu próprio universo, sem medo de explorar meus quatro cantos e mudá-los se preciso for.

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