um emaranhado de ideias, termos e forças. se me perguntassem o que sou, essa seria minha resposta. travas, bloqueios, mecanismos de defesa. ah é, havia me esquecido desses aí. toda vez que me forço a escrever eu me pergunto o que quero atingir. se eu quero desatar esses nós internos ou espremer minhas potências até se materializarem fora de mim. talvez eu queira ver tudo o que sou com meus próprios olhos, mas pra isso eu preciso externalizar. mas sem distorcer, sem deixar tomar conta, sem me dopar, sem esperar algo. se minha ansiedade falasse, ela teria uma voz esganiçada e aguda pra fazer jus à tontura que me causa. e as angústias minhas teriam cheiro de hospital, com paredes azuis. se minhas realidades fossem matéria, com certeza seriam algo como as pinturas de Modigliani. mas o “e se” que eu mais sinto prazer ao imaginar é: e se eu não fosse tomada pela pressa? pressa de chegar em casa, pressa de sair de casa, pressa de terminar a refeição, pressa de terminar o filme, pressa de conquistar, pressa de terminar esse amontoado de escritos. pressa. pressa é, talvez, um dos únicos objetivos firmados que tenho em minha vida. porque ela sempre está lá, num horizonte distante que eu visualizo e anseio como se estivesse dentro de um carro, avistando o mar entre os morros. mas, e daí? e daí se é a única coisa que eu tenho pra me agarrar? que seja! pressa!

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.