Mal necessário | Capítulo 4: A Cidade de Deus

Francisco Mendoza
Sep 2, 2018 · 13 min read

Leia os capítulos um, dois e três antes de continuar!

Já contei essa história tantas vezes (e ainda devo contar muitas mais) que cansei dela — e sinto que todos os que me conhecem também. Mas acho que ela explica quem eu sou num nível muito profundo; deve ser por isso que continuo contando, e que toda vez eu sinto algo dentro, uma emoção que acorda e fala “ei, vamos chorar um pouquinho?”. Sei que eu falei no primeiro capítulo que não ia contar, mas nesse aqui ela se fez necessária. Então vamos lá, sem choro:

Quando eu tinha doze anos, meu pai convocou uma reunião familiar. Era um sábado, um dia que não tinha nada de muito diferente até meu pai falar que íamos nos mudar para o Brasil em alguns meses. Por um lado eu entendi; meu pai passou a maior parte da minha infância viajando pro exterior a trabalho. Por outro, parecia algo incrível para que acontecesse a nós, singelos moradores de uma cidade pacata. Brasil? Eu ia ser como os personagens dos livros usados que comprava na loja da esquina (veja-se: animais selvagens e tesouros perdidos). Era tanta empolgação que não cabia dentro de mim.

Corta para: primeiro dia de aula num colégio privado de Belo Horizonte. Meu pai nos ensinou a dizer “fala devagar” antes de conversar com alguém — o português se parecia ao nosso idioma, então dava pra entender se as pessoas pronunciassem tudo. Só que em Minas, ninguém pronuncia tudo. Foi só dar o primeiro recreio que fui bombardeado de perguntas, um interrogatório que eu mal entendi e no qual provavelmente falei tudo errado. Eu era o primeiro estrangeiro que os alunos da sexta série conheciam e eles não perderam tempo nenhum em me ensinar coisas erradas das quais procediam a rir. Algumas das brincadeiras não eram nada originais, coisas que meus antigos colegas já tinham gastado até, mas outras das zombarias eram novas, principalmente em relação ao meu sotaque, coisa que me seguiu pelo resto da vida.

Às vezes, tentando entender meu lugar no mundo, me pego imaginando um vilarejo pré-histórico, uma civilização jovem com casas de palha e ferramentas de pedra. Uma porção significativa da população se dedica ao exterior — caçadores, soldados e exploradores. A outra porção se dedica ao interior, cultivando os campos, criando os filhos e sustentando o lar. Esses dois grupos são o coração da cidade, o motivo pelo qual ela sobrevive. Mas existe um terceiro grupo, um grupo que não se dedica à sobrevivência, e sim à eternidade. Os médico-bruxos, os cantores, os bobos da corte. Suas vidas são diferentes, seu papel difícil de entender ou justificar, pois carece de utilidade no sentido prático. Os dois primeiros grupos olham para eles com inveja, pelas suas vidas livres, mas também com desprezo, pela sua instabilidade. E eles, os excluídos, não conseguem se imaginar vivendo essas vidas da maioria, rígidas e predizíveis — mas de vez em quando se pegam fantasiando sobre como seria ser normal, ao invés de viver sempre na periferia.

Esse primeiro dia de escola em Belo Horizonte deixou claro algo com o que eu só faria as pazes muitos anos depois: eu faria parte da periferia para sempre. Não que isso se deva só ao fato de eu ter mudado para o Brasil; minha alma já estava predestinada. Mas talvez, se eu tivesse ficado na cidade onde nasci, a inércia teria me levado a formar parte de um dos dois grandes grupos — e a fome de querer mais do que a mesma coisa todos os dias, eu mataria com algum hobby. Agora perdera a chance: seria para sempre estrangeiro, tanto no Brasil (onde não cheguei novo o suficiente) quanto na minha própria terra (onde as pessoas continuaram a mudar depois que fui embora — como se atrevem!).

Nem no auge do meu delírio, quando me apaixonei pelos valores do Vital e mudei de cidade pra começar uma nova vida, eu cheguei a esperar que os colaboradores do banco e eu tivéssemos muito em comum. Fiz vários amigos, alguns viraram quase família, mas nunca esperei conhecer alguém do meu grupo, outro médico-bruxo/cantor/bobo da corte. De certa forma, cheguei no marketing de malas prontas, sabendo que estava apenas de passagem — interiormente, meu desejo latente de escrever como profissão não tinha morrido, e pensava que um dia iria florescer de vez. Nunca imaginei que existiria um lugar no banco que tentaria, quase com sucesso, me fazer abandonar esse sonho, desfazer as malas e chamar o Vital de lar, doce lar. Mas existia.


Uma vez que decidi perseguir o sonho de estudar fora e voltar a escrever, vivi algumas semanas intensas preparando todos os materiais necessários para o processo seletivo da NYU. Documentos, certificados, prova de inglês e dois roteiros de TV para o meu portfólio, que escrevi em tempo recorde pra não perder o prazo. Quando por fim mandei, me senti incrível — não conseguia acreditar que tinha feito tudo aquilo, que tinha de fato decidido fazer o sonho virar realidade. Missão cumprida. E agora?

Agora era esperar vários meses (muitos mais do que minha ansiedade deixava) e tentar não matar ninguém (inclusive a mim mesmo) das nove às seis, segunda à sexta. Minha paciência com o banco estava mais baixa que os níveis de água da Cantareira (situação da qual ainda não estávamos cientes na época), e meus chefes não colaboravam: depois da minha boa performance na Copa das Confederações, tentaram me encaixar em vários projetos meio mortos que precisavam de alguém pra ressuscitá-los; eu não estava a fim. Subi no sexto andar e falei diretamente com Kali, que disse que tentaria achar um novo desafio pra mim. Mas a coisa não estava fácil… pelo menos na diretoria de produtos.

“Analista Pleno/Sênior — Redes Sociais”, anunciava o link na página de vagas internas, onde os gestores faziam recrutamento antes de procurar no mercado. Cliquei imediatamente na descrição da vaga: procurava-se alguém que gostasse de escrever, que tivesse referências culturais, habilidade de planejamento e interesse em criar conteúdo. Eu, eu, eu e eu. Não conseguia acreditar.

A única coisa que me incomodava? Era pra trabalhar na Cidade de Deus.


Diz Platão que os seres humanos vivemos numa caverna, onde aquilo que vemos e ouvimos são na verdade sombras na parede, barulhos que vem de fora, vestígios de um mundo mais perfeito que o nosso, o mundo das idéias. Santo Agostinho adaptou a ideia ao catolicismo: existe o nosso mundo, imperfeito, a Cidade dos Homens, e existe o Céu, perfeito — a Cidade de Deus.

No marketing do Vital, havia uma divisão semelhante: existia a diretoria de produtos, diretamente ligada a tudo o que as pessoas odeiam num banco (juros, ofertas casadas, atendimento demorado) e a diretoria da marca, que cuidava da logo, do design, dos anúncios publicitários, dos patrocínios: tudo o que há de bom. A Cidade de Deus. Era onde todos queriam estar, onde o trabalho mais “artístico” acontecia, a área que levava nossas campanhas pra Cannes e trazia de volta novidades pra apresentar nas “plenárias” (reuniões gigantes que eram a nossa versão chata do The Voice, onde os jurados eram os diretores e o prêmio era que talvez eles lembrassem do nosso nome na hora de aprovar aumentos e promoções). Na Cidade de Deus, os colaboradores definiam a estratégia, os slogans, o “posicionamento” (um jeito pedante de falar slogan) e traziam até nós, para aplicarmos em nossas campanhas de produtos, como Prometeu trazendo o fogo aos mortais.

Durante meu tempo no Vital, sempre senti ao mesmo tempo inveja e desprezo por eles. Era a área que tinha os projetos que eu mais queria, mas também a que mais reprimiria e castigaria meu jeito de ser: apesar do marketing como um todo sofrer de um problema de falsidade, se dizia que essa diretoria era especialmente vilã. A Cidade de Deus era também a Cidade do Capeta, onde um sorriso do seu chefe às 9 podia virar uma comida de rabo ao meio-dia, sem aviso prévio.

E mais, quando você trabalhava por um tempo na diretoria de produtos, se criava uma certa camaradagem/complexo vira-lata/“nós contra eles” com relação à Cidade de Deus. Essa vaga exigiria que eu engolisse o orgulho, virasse a casaca e atravessasse o corredor simbólico que nos separava. Meu instinto era esquecer de tudo, mas eu estava em crise. As chances do mestrado em Nova Iorque sair eram mínimas (ou nulas) e eu já não aguentava mais fingir que trabalhava enquanto sonhava com outra vida. Queria desafios — e essa vaga parecia ter sido criada especificamente para mim. Pulei o corredor, e fui pedir informações.


O gestor da vaga, Tadeu, era ao mesmo tempo uma figura pública e completamente desconhecida. Por ser o responsável pelo sucesso do banco nas redes sociais (o Vital era líder de mercado no quesito likes e seguidores), a maioria das pessoas tinha interagido com ele em algum momento, no geral para pedir um post nas nossas páginas (que ele provavelmente negaria). Mas ninguém sabia muito sobre ele: almoçava sozinho ou com um grupo seleto de amigos, não ia nos happy hours e não aceitava solicitações de amizade no Facebook. Havia uma áurea de mistério ao redor dele, mas também de solidão, e talvez foi porque eu mesmo me sentia solitário que coloquei a mão no seu braço para falar com ele sobre a vaga — e ele pegou minha mão, sorrindo, como quem recebe um parente voltando de viagem. Praticamente não nos conhecíamos, e não obstante os dois percebemos que tínhamos algo em comum, que éramos diferentes do mesmo jeito, místicos no meio de uma tribo de caçadores e coletores.

Conversamos um bom tempo, ele me contando da vaga (que era tudo o que eu queria) e eu sobre minha experiência e meu sonhos. Ele claramente gostou do papo, porque me disse para marcarmos uma entrevista formal e me pediu que falasse pra minha chefe que estava participando do processo seletivo. Voltei pra mesa com borboletas no estômago — pela primeira vez em dois anos, o Vital havia me conquistado novamente. Eu queria muito aquela vaga.


O processo seletivo pra virar editor das redes sociais do Vital foi, de certa forma, um videogame, ficando cada vez mais difícil na medida em que os chefões (no sentido figurado e literal) ficavam mais poderosos.

A primeira fase foi fácil. Na entrevista formal com o Tadeu, conforme ele tinha pedido, apresentei uma “grade” de posts que eu criara depois de estudar nossas redes sociais. Ainda lembro da apresentação — eu tinha criado uma série de “lucros” que poderíamos postar na semana que o banco divulgaria seus resultados (sempre um momento de crise, pois a população ficava revoltada, com razão, com as cifras bilionárias que o banco ganhava). Eu destacava que havia outros ganhos também — pessoas que tinham finalmente comprado uma casa, ou feito um bom investimento, ou usufruído dos benefícios de uma das tantas causas que o Vital patrocinava. Olhando pra trás, fico surpreso com o quão acertada foi minha apresentação, considerando que a atividade principal da marca era (sempre foi e sempre será) jogar perfume na bosta.

O Tadeu adorou, não só a ideia como a execução, mas parecia inseguro. Ele obviamente percebia que eu era o candidato certo pra vaga, mas algo mudara entre nossa primeira conversa e a atual. Eu comecei a suspeitar que a pica grossa do eixo Y queria me foder de novo: minha fama no marketing devia atemorizá-lo, e ele tinha medo de deixar uma raposa entrar no galinheiro.

A segunda fase foi com dois chefões mais difíceis: os pares do Tadeu. Eu conhecia ambos, por motivos diferentes, e não era exatamente amigo de nenhum dos dois. Um deles, o Miguel, era o rei da mídia, a única pessoa no banco inteiro que sabia negociar um pacote com a Rede Globo e falar a língua de shares e pontos de audiência. Das poucas vezes que falamos, ficou claro que o jeito matemático e bitolado dele não combinava com meu sarcasmo pseudo-artístico. Nada contra, mas nada a favor.

Já a Luísa, que cuidava da publicidade offline? Essa eu era contra. A área dela criara a campanha da promoção para a Copa das Confederações que EU liderava, e nem ela nem sua equipe se deram o trabalho de me envolver — vi o comercial pela primeira vez na TV junto com o restante do Brasil. Ela, por sua vez, devia lembrar de mim como o pentelho da promoção que uma vez fora bem grosso com uma de suas subordinadas (no meu país natal, insultar as pessoas é normal, indica intimidade, mas rapidamente percebi que no Brasil não era assim e que as pessoas podiam ficar ofendidas — e com razão. Àquelas que nunca tive a chance de pedir desculpa, fica aqui o pedido. Eu era idiota. Ainda sou, mas um pouco menos).

Mesmo que, durante meu tempo no Vital, nenhum dos dois tenha feito nada pra melhorar a opinião do outro (pelo contrário, adicionamos mais uns pontos contra), hoje em dia lembro da Luísa com uma admiração que gostaria de ter sentido naquela época. Porque (pelo menos ao meu ver) ela, ao contrário de mim, queria estar lá. Ela fazia o que achava que levaria ela a crescer na empresa, queria de fato todas as promoções e bônus e etcétera que eu apenas ficava puto por não receber, mas que no meu coração eu não desejava, e portanto não perseguia. Seu entusiasmo genuíno por trabalhar no Vital era algo que eu nunca tive, e hoje respeito muito o fato de que ela estivesse seguindo seu sonho com tanto afinco.

Mas isso é hoje — a entrevista com Miguel e Luísa foi faz quatro anos atrás, quando eu ainda não tinha refletido nada. Foi uma meia hora bem tensa pra todos os envolvidos. Eles não sabiam por que estavam fazendo isso (não era de praxe que os pares de um gestor entrevistassem seus candidatos) e eu, que imaginava que o Tadeu estava pedindo todas as bençãos possíveis antes de contratar um famoso cuzão, estava irritado com a situação. MAS de alguma forma conversamos, falei de mim do jeito menos ameaçador possível, fiz perguntas e fingi interesse. No final, sorrisos e abraços. No mínimo, os convenci que podia jogar o jogo da Cidade de Deus, onde mentir bem era mais importante do que concordar.

Passei para a última fase — um papo com o chefe dos três, o Ricardo. Não tenho dúvidas de que muitos dos que estão lendo esta série estavam esperando eu falar dele. O poderoso chefão da marca. O cafetão mais temido das ruas da Cidade de Deus. Se isto fosse O Diabo Veste Prada, ele seria a Miranda Priestly, o chefe dos infernos que não obstante comanda a adoração de todos ao redor. Mas não vai ser neste capítulo.

Por enquanto só vou dizer: Ricardo era o superintendente da área de marca (sua superintendência tinha o mesmo nome que a diretoria onde ficava, o que tornava as coisas confusas, mas ao mesmo tempo bastante claras: havia apenas um superintendente que importava ali). Ele era, até certo ponto, a pessoa responsável pela marca Vital que a maioria das pessoas conhece hoje — o seu posicionamento, suas assinaturas e hashtags. Lembro de um dia que estávamos num evento no Rio e ele acabara de terminar uma palestra, quando se viu imediatamente rodeado de pessoas, que o atazanavam com cartões de visita, ofertas e propostas. Ouvi uma das pessoas que fazia fila cochichar com a outra: “se você não fecha com esse cara, não fecha com ninguém no Vital”. Exagero, talvez — mas ele era de fato uma figura central no Vital e no mercado publicitário.

Não era a primeira vez que nos falávamos, e no passado eu, tentando conversar com seu lado artístico, havia lhe confessado minha vontade de escrever; ele sempre oferecera conselhos e partilhara um pouco da sua própria energia criativa. Mas dessa vez, tentando decidir se eu poderia ou não cuidar das redes sociais, o papo foi mais reto: “eu ouvi falar que você é difícil”, disse ele, talvez com palavras mais floridas. “Você vai ser difícil na minha área?”. Prometi que não, que eu tinha crescido, que a Copa das Confederações tinha me mudado (de fato, uma das pessoas com as quais reconstruí a relação viajando pras cidades-sede foi a funcionária da Luísa com o qual eu fora grosso). Eu pareci convencê-lo e ele disse que escolheriam um candidato nos próximos dias.

Deu uma semana. Duas. Um mês. Eu começava a me desesperar. Será que não ia rolar? Eu nunca quis algo tanto no Vital quanto eu queria essa vaga. Eu tinha jogado o jogo, dançado as danças, me humilhado tentando provar pra todos eles que eu não era o bosta que eles temiam. Mas a resposta não vinha; no meu coração me preparei para o não. E foi justamente quando deixei pra lá que o Tadeu apareceu no meio de uma conversa de trabalho séria (lembro que era séria porque o jeito dele me chamar foi fingir que estava me lançando e puxando a corda, o que eu achei super inapropriado) e me pediu para ir com ele no café. “Se você ainda quiser, fica aqui o convite pra vir pra minha área”.


A Cidade de Deus acabou sendo ao mesmo tempo melhor e pior do que imaginava. Por um lado, tinha gente legal sim, como a Ana, uma trainee que sempre quis trabalhar no marketing mas tinha ido parar no crédito de veículos — um erro que o Tadeu corrigiu ao trazê-la para sua área. Viramos muito amigos, “the dream team”, os tratores das redes sociais, que esculachavam o eixo Y mas faziam o trabalho bem feito. A equipe de rede sociais como um todo acabou virando o time mais gente boa do qual já fiz parte. Até hoje sinto saudades.

Por outro lado, o céu estava sim cheio de demônios. Eu sabia que as pessoas seriam falsas, só não sabia o quanto eu teria que ser falso também pra dar conta. Era uma ditadura Poliana, e meu jeito franco de ser tinha muita dificuldade em se adaptar. Minhas malas ainda estavam feitas, e eu estava de olho na saída de emergência.

Até que um dia, numa reunião na agência de publicidade, Ricardo, Luísa, Tadeu e eu (e outros, imagino, mas não lembro quem) assistimos a uma apresentação da campanha de carnaval pra 2014. A agência queria amarrar com a Copa, e tinha feito uma série de peças incoerentes, quase vergonhosas, nas quais dançarinos de uma escola de samba, vestindo suas fantasias pesadas, de alguma forma jogavam futebol no meio do desfile. Não fazia sentido nenhum, mas todos sorriam e acenavam. Será que sempre seria assim? Todos fingindo que o que estávamos vendo não era um cocô indesculpável? Olhei pro Tadeu. E pra minha surpresa, ele estava olhando pra mim. Nos levantamos e saímos de fininho.

Assim que fechamos a porta da sala, começamos a rir. Uma gargalhada profunda, que aumentava ao ver como o outro ria também. “Que bosta, credo!” “Nossa, o que foi aquilo?” Demorou um tempo pra recuperarmos o fôlego. “Eu quero que a gente sempre seja assim, Fran”, disse ele, usando o apelido com o que todos me chamavam em São Paulo. “Quero que você sempre seja honesto comigo. Esquece essas cafonices de agência — a gente vai mudar esse marketing. Você e eu podemos construir algo incrível aqui.”

Por fim tinha achado o que eu sempre procurara. Alguém como eu, isolado nesse mundo, sonhando muito além do marketing do Vital. A visão que ele tinha do que poderíamos alcançar com as redes sociais, para nossas carreiras e pra marca me conquistou completamente. Por fim, estava em casa. Não precisava mais ir embora. Eu poderia ser feliz.

Só que, alguns dias depois, recebi um e-mail da NYU. “Congratulations”.


Thanks to Thais Martinho

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