Mal necessário | Capítulo 5: Fale Francamente

Francisco Mendoza
Sep 9, 2018 · 13 min read

Leia os capítulos um, dois, três e quatro antes de continuar!

No capítulo anterior, citei o filme O Diabo Veste Prada, e não foi à toa; é um dos meus filmes favoritos. Pra quem não conhece (e por que não conhece? Por favor, reavalie sua vida e suas escolhas), a história trata de uma jovem jornalista, Andrea, que enquanto não acha um trabalho no qual possa escrever coisas que vão “mudar o mundo”, vira assistente da Miranda Priestly, a editora-chefe da maior revista de moda dos EUA, a Runway. Miranda é o diabo ao qual o título se refere: exigente, obcecada com o trabalho e cruel com qualquer um que tenha a audácia de questioná-la ou fazer algo que não seja exatamente o que ela pediu.

Talvez a parte mais interessante de O Diabo Veste Prada seja que o filme é baseado num livro, e o livro é baseado na experiência pessoal da autora, Lauren Weisberger, que foi por um tempo assistente da editora-chefe da Vogue, Anna Wintour. Assim que que foi publicado, a mídia devorou o texto, tentando achar paralelos entre a diabólica Miranda e a misteriosa Anna, confirmando rumores de que ela controlava o mundo da moda com punho de ferro. A Vogue nunca mencionou o livro ou o filme nas suas páginas, e dizem que a Anna pessoalmente ameaçou estilistas com baní-los da revista se aparecessem no filme (o que não evitou que a Giselle Bündchen, na época a modelo mais bem paga do mundo, fizesse um bico — quem pode pode). Já deu pra entender por que eu gosto tanto?

O que eu sempre me perguntei é por que a Lauren Weisberger escreveu a história. Não pode ser rancor, ou apenas rancor, porque sua Miranda Priestly acaba se revelando um ser humano, não um diabo completo — inclusive arrisco a dizer que o livro tornou Anna Wintour uma celebridade e aumentou o interesse do público no mundo da moda, então ninguém saiu ferido. E mais, Lauren retrata a si mesma (no caso, através da Andrea) como culpada de grande parte das desgraças lhe que aconteceram. Não acredito que ela tenha escrito o livro só pra jogar a merda no ventilador. Pode ser que esteja projetando minhas próprias intenções nela, mas eu diria que a Lauren quis ter uma conversa franca sobre sua experiência dentro da Vogue e que, enquanto estava lá, nunca teve espaço para fazer isso.

Porque se algo eu não tive no Vital, foi o espaço pra falar francamente — mesmo que de fato houvesse uma pesquisa anual do RH com esse intuito. Era um questionário anônimo online que nos pedia para sermos honestos a respeito do quanto o banco, a nossa equipe e principalmente os nossos gestores estavam adequados às promessas que o Vital fazia no seu decálogo. Lembro que na minha primeira área, antes de responder, os colaboradores deliberamos: a velha guarda achava que tínhamos que mentir e falar que tudo estava ótimo, enquanto os mais novos, horrizados com sua atitude, queríamos ser 100% honestos. Achávamos que assim impulsaríamos a mudança, usando a força da massa pra combater a hierarquia e obrigar a empresa a se auto-avaliar e corrigir. Mas não enxergávamos o problema essencial: o fato do único momento em que éramos encorajados a falar a verdade ser uma pesquisa online e anônima deixava muito claro que, no dia a dia, não havia espaço pra um papo aberto — e um questionário anual não mudaria isso. Não demorou muito para eu entender que falar francamente resultava em gestores com sentimentos feridos (e como não, se sua equipe preferia falar a verdade pro RH e não pra eles?), reuniões desconfortáveis com feedback grupal e, pior, uma nuvem negra que pairava sobre membros da equipe, evitando que fossem promovidos ou premiados até a nota melhorar. Aprendi minha lição e nunca mais dei menos do que nota máxima (com algumas variações pra não levantar suspeitas) ao responder.

Mas não ficou só na pesquisa: a sensação de que a verdade não é bem-vinda entrou no meu subconsciente. Desde que comecei a escrever esta série, tenho sofrido bastante ansiedade. Me torturo, revirando na cama de noite sem conseguir dormir, pensando “será que posso falar disso? Será que vai dar problema?”. Faz anos que saí do Vital, estou em outro país, mas a cultura do silêncio, do “guarde pra você” (ou, como dizia uma da minhas colegas, “pense em tudo o que você quer dizer, e fale apenas 20%”) me segue até hoje. A reação exagerada que meus textos recebem nas redes sociais, mensagens de pessoas que eu não conheço ou com as quais não falo há anos, me dizem que não sou o único, que o pessoal está empolgado com a ideia de poder ter uma discussão honesta sobre a cultura e a vivência de trabalhar ali.

Então vamos lá, vamos falar francamente.


Falando francamente, o Tadeu não era feliz no Vital.

Quando ele me trouxe para sua área, ficamos muito próximos em questão de dias e muitos se ressentiam com essa nossa conexão inexplicável, que deixava pouco espaço para os outros. Hoje, olhando pra trás, vejo que assim como ele me deu esperança e me fez sentir em casa, eu também dei esperanças a ele. Depois do seu sucesso inicial com as redes sociais, o Tadeu começara a enfrentar várias barreiras que lhe impediam de seguir seus impulsos criativos — estava descobrindo que não trabalhava numa agência de publicidade, ou no Facebook; ele trabalhava num banco, e num banco as coisas são lentas, burocráticas e decididas em comitê. Só que num banco, também, dá pra trabalhar de 9 às 6, ter fim de semana e férias decentes e aumento salarial garantido pelo sindicato. Não é fácil sair, e minha energia e criatividade lhe davam motivo para acreditar que talvez ainda dava sim pra construir algo novo e empolgante nesse velho mundo.

Ainda lembro do dia: logo de manhã, poucas pessoas no andar — entre elas o Tadeu, que não me deu bom dia. Achei estranho. Liguei o computador, abri o e-mail e imediatamente entendi. Uns dias atrás, uma reunião que tínhamos com um diretor (Amun-Ra, do capítulo dois) havia sido cancelada, e eu respondera à organizadora, minha par, perguntando o por quê. Só que não percebi que copiara todos os envolvidos; o diretor respondera falando que também queria saber, e o Tadeu teve que admitir publicamente que ele que havia cancelado, por ter outras prioridades, coisa que ele esperara fazer em segredo (ninguém quer falar pro diretor que ele não é prioridade), mas que meu erro tinha tornado público.

Tadeu me chamou no café e desceu o cacete. Não quis ouvir que fora um erro, disse que eu tinha que aprender a ser parte da equipe, jogar o mesmo jogo, que ele me queria do lado dele, não mais pra trás e muito menos mais pra frente. Na época fiquei puto e me distanciei. Nossa amizade esfriou. “Também, pra que fui me meter a ser amigo do chefe”.

Agora penso naquelas palavras de forma diferente, e não só porque ele depois me pediu desculpas, e nossa amizade se recuperou. Hoje vejo que o que aconteceu expôs claramente o lugar onde ele trabalhava: uma empresa na qual um simples cancelamento de reunião tem consequências, onde a hierarquia impera e a criatividade está subordinada a forças que nada tem a ver com o grande amor do Tadeu, o storytelling. E pior, o Vital fingia que não era assim: os chefes lhe diziam constantemente que queriam sua inovação e energia, que precisavam dele pra mudar e ser melhores — mas, no dia a dia, o podavam e o mantinham firmemente plantado onde estava.

E o fato de eu insistir que fora apenas um erro, de não assumir a responsabilidade pelo meu ato, lhe dizia que eu não tinha vindo pra salvá-lo. Que ele teria que salvar a si mesmo.


Falando francamente, acho que o Ricardo não era feliz no Vital.

E digo “acho” porque ele era bastante inacessível. Mesmo se expondo constantemente, falando alto no corredor, invadindo plenárias para falar da marca, postando no Facebook fotos de sua família e textos que escrevia para as maiores publicações de publicidade — sempre vi nessa sua imagem pública algo planejado, desenhado para causar uma reação específica. Uma vez alguém me contou que não fora sempre assim; que ele já trabalhara nos produtos, cuidando do Noveau-Riche, e que na época não tinha essa personalidade descolada com camisa aberta e sapato sem meia — que isso só tinha começado depois dele assumir o comando da marca Vital.

Não o culpo. De certa forma, vejo sua personalidade externa como uma armadura, já que mesmo que ninguém quisesse admitir, ele causava bastante inveja. Disse no capítulo anterior que muitos dos que leem estes textos deviam estar esperando eu falar dele, e não é à toa: tinha muita gente torcendo contra. Ele ocupava o cargo mais desejado de todo o marketing e isso, somado a um talento natural que tinha para a publicidade, havia lhe dado bastante poder — e prêmios, e reconhecimento — coisa que seus pares (e subordinados e até seus superiores) achavam difícil de engolir. Acredito que, ao construir uma identidade nova, ele estava protegendo seu interior, deixando esse “novo eu” levar as pancadas enquanto o ser humano esperava dar seis horas da tarde para aflorar, na hora de brincar com a filha no berço.

No tempo que passei com ele, o observei como um homem em constante conflito. Ele parecia sofrer de uma certa bipolaridade, na qual ao mesmo tempo detestava e recompensava aqueles que puxassem seu saco. O Matteo, meu ex-colega trainee, que deixara os produtos pra trabalhar na marca mais ou menos ao mesmo tempo que eu, fazia questão de conversar com o Ricardo no WhatsApp, se somar às brincadeiras e chamá-lo de “chefe”, e tinha muito mais acesso a ele do que eu jamais tive; por outro lado, o Ricardo fazia comentários ou piadas com o Matteo com as quais eu teria ficado ofendido — e de fato comigo nunca se atreveu, me tratando com respeito absoluto, mas me mantendo à distância (a primeira vez que se chegou a falar em me promover ou dar algum tipo de reconhecimento foi logo na época que eu saí do Vital). Acho que o Ricardo se sentia sozinho, e buscava não adoração, mas amizade genuína; mas depois de tanta inveja, tantos comentários maldosos pelas suas costas e tanta cobrança do mercado, adoração (ou inveja) era a única coisa que lhe restava.

Quando O Diabo Veste Prada foi exibido a um público-teste, os expectadores reagiram tão negativamente ao diabo Miranda que a produção teve que fazer uma reunião de emergência com a roteirista: a personagem tinha que ter algo de bom, algum momento de vulnerabilidade que convencesse o público a não jogar sua pipoca e refri contra a tela. A Meryl Streep, puta atriz que é, teve a ideia: mostrar a Miranda sem maquiagem, sem roupas de grife, em um raro momento de vulnerabilidade provocado por um divórcio recente. É um dos momentos mais poderosos do filme, que permite ao público finalmente conhecê-la, seu lado humano que merece amor e compaixão.

Pensando no Ricardo, lembro de um momento assim. Não foi num hotel em Paris durante a fashion week, como no filme — minha vida não era tão chique. Foi num simples dia de semana, quando o Ricardo passou pelas mesas oferecendo carona. Como não morávamos longe, aceitei, e lá fomos os dois, sozinhos pela primeira vez (e se não me equívoco, última). Parados no trânsito, entediados, fomos conversando sobre meu futuro no banco, e tive que admitir que minha alma ainda me chamava pro mundo da escrita. Ele não pareceu chateado com minha admissão de que não planejava ficar pra sempre, e pelo contrário, falou algo muito lógico: “Você tem que fazer uma conta, de risco versus recompensa. Na sua idade, sem estar casado ou com filhos, o risco ainda não é tão grande que não vale a recompensa. Fica de olho pra poder pular fora a tempo”. Ele estava falando de mim, mas fiquei pensando… ele era casado com filhos. Muitas das pessoas que trabalhavam no Vital tinham família, haviam comprado casa e carro, construído uma vida ao redor do seu emprego no banco. Quantos deles algum dia sonharam com uma recompensa maior, mas não pularam fora antes da conta ficar negativa?

Ao nos despedirmos, chamei ele pelo sobrenome, brincando: Seu Martinelli. Ele retrucou: “Seu Martinelli era meu pai”. Pela primeira vez vi ele como ser humano, muito mais do que nos seus posts de Facebook nos quais beijava a esposa ou abraçava seu bebê. Ele tinha um pai, como todo mundo, do qual sentia saudades, com o qual um dia se sentira amado e protegido. Senti pena pela sua perda, e uma afeição genuína que no dia a dia nunca tive. E pensei: com uma filha já nascida e outro a caminho, o Ricardo já era Seu Martinelli. Mas, me ocorreu, talvez pensasse que se fosse chamado pra sempre de Ricardo, o risco nunca ficaria tão grande que ele não poderia perseguir a recompensa dos seus sonhos.


Falando francamente, eu não era feliz no Vital.

Aquele e-mail fatídico que recebi da NYU falando que tinha sido selecionado pro mestrado continha também notícias tristes: tinha recebido uma bolsa pequena, que não cobria quase nada dos milhares que o curso custava. Reclamei, chorei e implorei a todos os e-mails dos professores que consegui achar, mas não consegui mudar a situação — eu tinha conseguido a oportunidade dos meus sonhos, e não tinha como pagar. E acabei castigando todo mundo ao meu redor por isso.

Eu era editor de todas as redes sociais do Vital; ainda que de vez em quando eu escrevesse os posts pessoalmente, a maior parte do tempo eu trabalhava com uma equipe terceira de redatores que desenvolvia as idéias que pautávamos mensalmente. Eles tinham boa vontade, eram criativos, e juntos fazíamos muita coisa legal (não que isso importasse — mesmo que postássemos uma foto de uma mãe, filho e cachorro brincando, a maioria dos comentários sempre seria algo do tipo “VITAL AGENCIA 5315 SAQUAREMA FUI OMILHADO PELO DECTETOR DE METAIS EXIGO REPARASSAO”. O pessoal não poupava). Eu gostava muito da equipe, e não levei na boa quando meus chefes decidiram substituí-los por um time da maior agência de publicidade que nos atendia (e uma das maiores do Brasil), a Austrália.

Eu poderia escrever uma série inteira sobre a Austrália (e talvez um dia escreva), mas basta dizer que era um lugar assustador — literalmente, com seus corredores escuros e espelhos em lugares bizarros, mas também figuradamente, pois tinham uma relação incompreensível com o banco (pactuada em um nível superior da hierarquia) que lhes permitia fazer o que quisessem, independentemente do fato de nós sermos o cliente. Se bem que, de vez em quando, a agência tivesse mesmo idéias brilhantes, a maior parte do tempo faziam o trabalho em automático, e a equipe que contrataram pra cuidar de nossas redes sociais era bem novata. Já de cara me irritei com sua falta de conhecimento da nossa linguagem, que nada tinha a ver com jeito publicitário deles — e que nossa equipe interna tinha desenvolvido durante anos. Com o tempo só foi piorando; eu não conseguia me acostumar a eles e nem eles a mim, e eu perdia mais tempo reescrevendo o que recebia do que pensando em coisas novas.

Um dia, depois de uma reunião na agência numa sexta-feira, final do expediente, levantei pra pegar minha mala (passaria o fim de semana em BH com minha família) e percebi que ninguém mais se mexia. Tanto o Tadeu quanto os “australianos” (como às vezes se autodenominavam) ficaram sentados, e eu brinquei “vocês vão falar mal de mim?”. Risos. Fui embora, voltei a São Paulo na segunda, o Tadeu me chamou pra almoçar. Sim, eles tinham falado mal de mim. Nessa segunda reunião da qual não participei, eles tinham reclamado da minha falta de tato, minha intransigência e, muito pior (pro meu ego): minha incompetência criativa. Falei que era ridículo isso, que com os redatores anteriores eu trabalhava muito bem, mas o Tadeu retrucou pacientemente (inclusive porque provavelmente concordasse com alguns dos pontos levantados): “mas a gente trabalha com a Austrália agora. Você tem que achar um jeito de se entender com eles. Na sua vida sempre vai ter gente com a qual você não se dá bem, e se você não der um jeito de obter o melhor deles, quem vai se foder é você”. Nem a pau, pensei. Esses putos me pagam.

Esperei o Tadeu sair de férias. Chegou uma nova leva de posts — de novo não estavam bons. Eu poderia ter devolvido com comentários, tentado ajeitar bastante antes de aprovar, mas como o Tadeu estava de férias, eu sabia que a aprovação cabia ao Ricardo e essa era minha chance de devolver a punhalada. Levei os posts crus do jeito que estavam e não teve jeito: o Ricardo ficou revoltado. “É pra isso que estamos pagando?”. Na sexta-feira seguinte, comigo do lado, o Ricardo esvaziou a sala de reuniões da Austrália pra falar somente com a chefia. “Não vai dar pra vocês continuarem cuidando de nossas redes sociais”. Eu desfrutei de cada palavra. Tinha ganhado o jogo — coisa raríssima quando se tratava da Austrália. A agência reclamou, falando que queriam mais uma chance, que se rescindíssemos o contrato teriam que demitir a equipe que contrataram. “Então vai ter que demitir”, respondeu o Ricardo.

Minha satisfação morreu na hora. Eu acabara de causar a demissão de duas pessoas*, jovens criativos como eu que estavam começando a carreira. E pra quê? Pra ganhar uma briga de ego?


Das primeiras vezes que eu assisti O Diabo Veste Prada, tudo o que eu via era a jovem Andrea sendo torturada pela Miranda e pelo impiedoso mundo da moda. Mas na medida que eu fui amadurecendo, comecei a entender mais a Miranda, rodeada de pessoas que a julgavam a todo momento e que se negavam a confiar na sua visão, e vi mais claramente o problema da Andrea: ela queria que a Runway fosse algo que não era. Ela achava que a culpa dela não ter o emprego dos sonhos era de todo mundo, menos dela — e preferia apontar a maldade nos outros ao invés de olhar pra dentro.

No clímax do filme, Andrea reclama com a Miranda que esta arruinou a vida de um dos seus colegas apenas pra manter o emprego. A Miranda responde, corretamente, que é o mesmo que a própria Andrea fez em uma cena anterior, roubando o projeto de sua par pra não ser demitida. “Vejo muito de mim em você”, diz a Miranda. “Mas eu não quero ser assim”, responde Andrea. A Miranda ri: “Para de ser boba, Andrea. Todo mundo quer ser a gente”.

Todo mundo queria ser a gente — menos a gente. Tanto estresse e dor foram causados naquele andar por pessoas que não queriam estar ali. Eu trabalhava na Cidade de Deus, a área mais cobiçada do marketing, cuidando das redes sociais do Vital, um trabalho que qualquer jovem na publicidade brasileira amaria ter. Mas, como alguém diz à Andrea no meu momento favorito do filme, “o trabalho que um milhão de mulheres mataria pra ter, você apenas se digna a ter”. Eu apenas me dignava a trabalhar no Vital, porque o que realmente queria era ser escritor, minha cabeça estava no mestrado da NYU, nos animais selvagens e tesouros perdidos. E ficava cobrando que o Vital mudasse, ao invés de mim mesmo. Chega.

Em Novembro de 2014, subi num avião rumo a Nova Iorque. Estava decidido a não voltar até não convencer a escola inteira a me financiar. E fiz isso mesmo.

Em Março de 2015, recebi um novo e-mail. Tinha passado. Na segunda página: bolsa integral.

Chegara a hora de dizer adeus ao Vital.


Leia o último capítulo!

*Descobri, umas semanas depois, ao ver ambos no corredor da agência, que fora apenas drama e eles tinham sido mandados pra outra área, não demitidos. Não apaga minha cuzonisse, mas alivia minha consciência.

Thanks to Thais Martinho

Writer, film enthusiast, tech fanatic. Don't be fooled by the rocks I (don't) got - no matter where I go, I know where I came from.

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