Idade e conceitos

A partir dos 25 anos, começamos uma contagem regressiva que nos traz uma grande sensação de “acordei atrasado para um compromisso”. Esse compromisso seria você do presente com você do futuro, no caso, você aos 30 anos.

Não é uma regra, logicamente, mas é natural que uma boa parte das pessoas passem por essa fase da vida, já que o número 30 carrega o peso da seriedade da vida adulta. Basicamente seria aquela visão enlatada da estabilidade: casa própria (ou no final do processo de conquista-la), prestes a se casar, cargo legal no emprego, renda minimamente satisfatória, poupança segura… enfim, tudo aquilo que vai lhe dar conforto, credibilidade de adulto e segurança.

Apesar de muitas pessoas já terem uma opinião diferente quanto a atual geração que está nessa fase da vida — já que os tempos são outros — lá no fundo da nossa mente existe essa busca pelo modelo enlatado. E é aqui que mora o perigo.

O problema não é ter esse modelo como objetivo, com certeza ele é um sinônimo de realização pessoal para muita gente, mas se não é isso que lhe fará feliz, não force a barra com você mesmo. Dê créditos para quem você é no presente.

O primeiro passo é entender que o número é algo apenas simbólico, sua idade não dita as regras de quem você deve ser de acordo com o ano que passa. Sua identidade é formada por conceitos e experiências, o que não é mensurável e tão pouco está diretamente atrelada ao tempo vivido.

O segundo passo é saber que sua identidade, sim, é o que realmente importa, pois é ela quem abrirá (e fechará) portas para as oportunidades que construirão sua vida. Mesmo que o tradicional modelo de 30 anos de idade que vemos por aí seja a sua meta, a sua identidade também influenciará nesta conquista.

Terceiro e ultimo passo: respirar fundo e refletir. Processando toda essa informação, você poderá ver quem você é e, então, como você poderá somar novos horizontes aos seus conceitos. Esse é um dos momentos em que é preciso sair da famosa zona de conforto e mudar o que não está bom e reforçar o que está legal. E é claro, sempre tentar coisas novas, já que esse conselho, apesar de manjado, é atemporal.

Concluindo, não se deixe levar pela ansiedade de se encaixar em uma vida ideal. A ansiedade nos faz pessoas desorientadas e acabamos tomando decisões inconsequentes. Como diria o autor da fábula A Lebre e a Tartaruga, Esopo, “ um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade”.