Fique quieto mundo.

Sentar e esperar anoitecer. 
Encostar em várias paredes até que o silencio reine. 
Andar em círculos ou linhas retas por um corredor que antigamente parecia infinito e hoje, você pode ver, não passa de um cubículo. 
No silêncio, o barulho fala... E por mais que você queria abaixar o volume, não da. Ele já foi muito abafado para se conter agora. Já não tem como controlar, é na noite onde moram as verdades,as putas, os poetas e os que sofrem. O vestido azul, as mãos pequenas que socam as paredes... E a cabeça que explode de pensamentos. Você simplesmente poderia explodir. Já foram tantas memórias,tantas palavras ditas ali e mesmo assim nada disso, nem sequer um ponto, faz sentido. Parece que tudo o que vivemos se vai, e por mais que tenha consequências no futuro, não permanece como deveria. Os amores se vão, pegam a rota de volta e deixam as dores em malas que jogamos no chão do nosso próprio corredor. As pessoas juravam ficar, mas juraram voltar e a partir daí você não acredita mais. A vida passa voando, os dias passam correndo, as horas nem parecem existir... Devolvam a meia hora que parecia durar meia década. E tudo poderia acabar agora, com essas paredes caindo, esse teto desmontando... E você jura que não sairia correndo? E se tudo acabasse agora, de nada valeria, mas alguma vez, valeu? E se tudo acabasse agora, você nunca saberia os sentimentos de alguém, alguma vez você soube de verdade? E se tudo fizesse sentido agora? As paredes continuam brancas, eles continuam longe, e você continua sozinha. E não importa se esta no corredor ou não, pode ser no ônibus, na rua, sentada na calçada, sentada na janela do quarto. O cenário muda, mas as horas continuam passando... E você ainda não tem uma resposta. E você ainda não esta pronta. Ainda é uma criança incerta vivendo em um mundo inquieto.

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