Olhos e olhares.

Ouvindo os passos da noite em mais um dia totalmente avulso, em alguns dos imensos dias de Agosto. Eu me perguntava o porque daqueles olhos nunca terem um dono, sempre me perguntava se algum dia esqueceram de olhar além deles. Talvez aqueles olhos só estivessem perdidos, mas são tão bonitos que duvido que realmente estejam sozinhos. Mas estão. Olham para os cantos, procurando um amor que sempre evitam, olham para cima, procurando a rima do antigo poema, olham para baixo, e encontram o refúgio inesgotável da timidez e do fato de nunca se entregar. Esses olhos que sempre estão cansados e molhados, sempre se fazem animados para que ninguém nunca perceba. De coração maltratado já basta o deles. No fundo, eles sabem que apesar de tudo, há um novo dia... No dia que há de surgir. Porém é difícil entender a dor que parece grande e dominante. E passa por um simples sorriso bom. Os olhos não entendiam, mas de que adiantaria, eles nunca foram ouvidos. E mesmo que ouvissem, eles não podiam dizer nada do que queriam, as pessoas fazem isso as outras, oprimem. E em mais uma madrugada, os olhos se fecham e tentam esquecer que o último dono reapareceu. Talvez achasse que ainda tivesse direito de ver um brilho no olhar. Mas não tinha. Eles não olharam, ignoraram, e houve silêncio no mar. As águas salgadas uma hora cesaram, mas ele deveria saber que não deveria reaparecer.

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