Um salão sem empolgação

Na última quinta-feira, 10 de novembro, estive no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo. O evento ganhou casa nova: saiu do abafado e detonado pavilhão de exposições do Anhembi para habitar o moderno São Paulo Expo, nas proximidades da Rodovia dos Imigrantes, via de acesso às cidades litorâneas do Estado. Embora o evento sirva para prestigiar o meio de transporte mais desejado e egoísta do planeta, preferi optar pelo transporte público pra chegar até lá. Nada de stress para pegar o metrô, nada de stress para pegar o ônibus gratuito que levava da estação até o local, nada de stress para entrar no evento.

O novo endereço é realmente bem interessante. Tem um pé direito semelhante ao do recinto da zona norte, porém com o piso bem menos acidentado e ondulado. O ar condicionado não é dos mais fortes, mas já ajuda a controlar o calor comum dessa época do ano. Logo de início, dou de cara com o estande da Fiat, ostentando um conversível que certamente não será vendido por aqui tão cedo. Na sequência, vou percorrendo os demais estandes pelos cantos, para tentar compreender onde começa e termina a exposição. Chego na parte final e observo uma estrutura chamada “Carros dos Sonhos”. Mais do que veículos caríssimos e futurísticos, aquele pedaço do evento trazia modelos de algumas marcas que não contavam com estruturas próprias, como a Lamborghini e a Ferrari. Afinal de contas, como reverter a possível decepção daqueles que pagaram até R$ 95 para visitar o salão e não teriam uma dessas italianas para babar?

Continuo minha caminhada e me deparo com diversas beldades. Algumas com rodas de aro 18 e outras ligeiramente decotadas. Eventos desse tipo, tradicionalmente, atraem um público predominantemente masculino, mas é injusto pensar que somente os machos é que gostam de olhar automóveis. Deixando essa crítica de lado, quem curte apreciar belas máquinas não tem do que reclamar. A grande maioria das montadoras trouxe para a capital paulista os principais produtos que apresentaram recentemente lá fora. Alguns são apenas veículos-conceito, outros já estão em vias de entrar em produção ou mesmo já chegaram às concessionárias.

Agora, o que mais me chamou a atenção foi o clima ameno entre os expositores. O ritmo lento das vendas no mercado nacional, as inúmeras crises em que o governo está envolvido (governo, este, que sempre deu incentivos para impulsionar o segmento) e o desemprego em níveis alarmantes provavelmente são alguns dos motivos para a falta de empolgação. Com o freio de mão puxado, as marcas optaram por montar estandes mais sóbrios e discretos. Os shows que artistas costumavam fazer entre os lançamentos, de hora em hora, tornaram-se mais escassos, e é nítida a falta de verba para marcar presença por lá.

Mesmo assim, se você curte o assunto, não pode deixar de ir. Além dos produtos expostos, também é possível dirigir alguns deles na área de test-drive, montada na área externa do centro de exposições. Ao contrário do que acontecia no Anhembi, agora essas atrações estão melhores posicionadas e chamam a atenção dos visitantes antes mesmo de passar pela catraca da entrada.

Aproveite e trate de achar um espaço na sua agenda, pois o Salão do Automóvel terminará no próximo domingo, dia 20.

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