Carta 008

Oi Padawan, cê ta bem? É engraçado a forma que mesmo tentando ignorar os estímulos a minha volta, eu sempre lembro de você. A forma como você me olhava nos olhos, teus beijos, como são teus abraços e como é teu cheiro.

Isso aos poucos, além de frustrante é desolador. Cada vez que essas lembranças de nós dois passam por mim como um furacão, o resultado por dentro é igualmente ao fim de um furacão de verdade. Devastação.

Talvez uma hora isso passe… Em 7 anos não terei mais um corpo que tenha sido tocado por você. Nossas memórias serão soterradas de outras melhores, com pessoas diferentes. Talvez nunca mais lembraremos que passamos pela vida um do outro e por fim isso será o fim de tudo.

Mas quer saber? Eu não quero isso pra gente. Finais dignos por favor!

Em 7 anos, quero ter encontrado você 7 vezes 7 por ano, no mínimo! Quero que nunca exista um corpo meu ao qual nunca foi se quer abraçado por você, escrevo pra ti aqui, pra que ninguém soterre as memórias que tenho de você. E para me lembrar também, que a vida da gente é uma enorme praia onde as pessoas são levadas com a onda na praia, mas que você de alguma forma irá permanecer por aqui.

As memórias ainda são ácidas e com o tempo cada vez mais são assim. Talvez você entenda isso. Ainda é como se nossos corpos ainda estivessem ligados o tempo todo. Posso espernear, posso deixar o tempo passar, a vida passar, mas essa sensação não passa. É como se tivesse uma marca impressa no corpo.

Perdoe a vulgaridade de algumas palavras. Ainda não sei lidar com essas marcas que latejam insistentemente de dentro pra fora, principalmente quando vem na mente a forma como você percorria meu corpo com os olhos e dedos. As nossas cenas, nossos beijos… São torturas desafortunadoras. Ainda preciso aprender a desistir de você.

Uma hora quem sabe.