Grito

Reflexões sobre corpos.

Nubia Santos
Sep 1, 2018 · 3 min read

Por vezes nós gostaríamos de encontrar um refúgio onde ninguém colocaria em nós aquele peso das coisas. Ninguém iria impor suas vontades e anseios em cima de nós. Onde ninguém tentaria moldar-nos de acordo com suas regras e visões.

É certo dizer que pouquíssimas pessoas tem respeito por outrem, pouquíssimas pessoas respeitam o corpo e a pessoa que está abrigada naquele amontoado de moléculas. Uns querem dizer o que você deve ou não fazer, outros dizem a você o que você deve ou não vestir e a forma a qual você deve se portar.

“Mulher que não se dá o respeito devido, fica solteira pro resto da vida” é apenas umas das dezenas de coisas que escuto. Talvez eu seja pra ficar totalmente sozinha, prefiro isso do que ser a boneca se porcelana de alguém. “Você não consegue namorado porque você é chata” ouvi um dia, e depois desse dia, achei melhor continuar sendo a “chata”. Por que raios eu tenho que ter um namorado???

Muitas pessoas as quais vejo, se sentem mal com seus corpos e consigo mesmo, por não ter aquela barriga chapada, ou não ter aquela “bunda perfeita”. Somos bombardeados constantemente com os ditos “padrões de perfeição” e eles são inalcançáveis e como se não fosse o bastante, a necessidade de objetificar esse corpo como se fosse algo que pudesse ser vendido em qualquer “farmácia”. Hoje mais cedo, ouvi algo que mais uma vez foi desnecessário, que reprime meu corpo e a minha liberdade se ir e vir. Reprime quem sou e só reafirma todos os estereótipos de que mulher que tem controle sobre o próprio corpo, não presta.

Convido vocês a fazer uma reflexão bem rápida. Caso você seja mulher, você entenderá o que falarei. Quantas vezes você se privou de usar uma roupa porque disseram que você iria parecer “fácil”? Ou ainda, disseram que você não pode transar no primeiro encontro, porque você precisa se dar o respeito?

Digo-lhes, quebrar padrões mentais é muito difícil para quem já está nesse looping infinito. Porém é possível. Digo também, que uma decisão de transar ou não no primeiro encontro, usar uma certa roupa ou não, só cabe a você mesmo e mais ninguém.

Quando decidi isso por mim mesma, tive uma das melhores experiências na minha vida. E bem longe do que a sociedade me diz que acontece ou não. Homens, vocês gostam de expressar quem são, gostam da “liberdade” de ir e vir, gostam de colocar a roupa que os fazem se sentir bem e sabem bem o que querem fazer com a própria sexualidade. Respeitem a mulher que gosta de fazer as mesmas coisas e respeitem a mulher que não gosta. Os corpos são exclusivamente daquela pessoa que o habita. Se você não habita meu corpo, pare de achar que ele é comparável a sua caneca de porcelana.

Não entrarei em méritos de outros assuntos pois são para outra reflexão. Mas a partir de hoje tenham em mente, você é dono de si, ninguém lhe manda o que vestir. Onde ir ou não. Ninguém pode te dizer o que fazer ou não, a escolha no fim das contas sempre vai ser sua, então pegue com as mãos a responsabilidade de ser você mesmx. Dito isto, me lembro de uma frase celebre de minha madrinha que é bem cabível aqui: “Tudo eu posso, mas nem tudo me convém”.

Você não é a sua roupa. Você não é seu carro. Você não é a sua casa. Você não é o seu emprego. Você não é a sua nota baixa ou alta. Você não é nada além de um filho de Deus, de Oxalá, de Ala, do Cosmos, da Deusa, seja lá o que você crê. Você não é suas decepções amorosas. Você não precisa estar no padrão de corpo e sim com saúde. Você não precisa se privar de transar no primeiro encontro com medo do que as pessoas vão achar, mas tenha em mente as consequências de que qualquer relação sexual pode trazer e você não é “puta’’ por querer ter liberdade sexual. Você não é uma “biscate” por ir no bar beber. Você não é o curso que você faz na faculdade. Você é alguém livre e capaz de escolher o que é melhor para você e o que te faz feliz.

Obrigada por lerem esse desabafo.

Nubia Santos

Written by

Web Designer metida a Poeta. Escrevo conforme sinto, conforme necessidade e sobre amor e a disforme sociedade.

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