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“Antes eu dava conta disso tudo sozinho. E muito melhor.”

Empreendedores vivenciam a ironia de soluções que funcionavam muito bem com uma operação enxuta, se tornarem grandes problemas à medida que a operação cresce de tamanho.

A sensação de não ter mais controle total sobre o negócio gera angústia e ansiedade. Mas qual seria o nível de controle ideal para tomar decisões do negócio com consciência e segurança?

Por que a falta de controle é um desafio?

Quando começa um negócio, o empreendedor exerce praticamente todas as tarefas da empresa, ele é o financeiro, marketing, compras, RH e tantas outras funções que qualquer atividade empresarial demanda necessidade em seu dia a dia.

Ao passo que o negócio evolui uma única pessoa não poderá se responsabilizar por tantas atividades na operação. O tempo dedicado somente à produção e venda do produto ou serviço, agora tem que ser dividido com controles financeiros, gestão de pessoas, relacionamento com clientes e etc. Neste momento, é chegada a hora de contratar um braço direito que consiga tocar essas atividades tão bem quanto o empreendedor.

Imagine o dono de um pequeno comércio, que tem um balcão que o separa dos clientes. Toda a movimentação de produtos e dinheiro é realizada por ele. De repente, a sua vendinha cresce e ele tem que tirar o balcão, colocar gôndolas, caixa e contratar um funcionário para ajudá-lo na reposição dos produtos nas e no check-out.

Este exemplo serve apenas para exemplificar que toda empresa que cresce tem o momento de tirar o seu “balcão”, que representa o momento no qual o empreendedor tira os controles de si e compartilha-os com a equipe, implantando sistemas, criando uma estrutura hierárquica e estabelece padrões e rotinas através lógica do comando e controle: eu digo como você deve agir e depois controlo para verificar se você agiu conforme os comandos dados.

Apesar de óbvio, não é uma tarefa tão fácil abrir mão do controle sobre certas atividades do negócio.

Tirar o “balcão” também pode abalar o ego do empreendedor, uma vez que ele está perdendo poder e domínio sobre algumas atividades do negócio.

Quais as causas da falta de controle?

À medida que a empresa cresce, também cresce a quantidade de funcionários, de clientes, de fornecedores, aumentando a complexidade desse organismo e a necessidade de controles.

Assim, o empreendedor divide as áreas da empresa, ou seja, departamentaliza e surgem as caixinhas do organograma como conhecemos. São estabelecidos comandos para cada caixinha e os gerentes são os responsáveis por controlar a execução em cada departamento. Isso dá ao gestor a impressão de que ele reduziu a complexidade e retomou o controle. Na teoria parece que essa fórmula funciona bem, entretanto na prática quando aparece a primeira falha de comunicação entre ele e os gerentes, os controles começam a não funcionar.

Mas não para por aí. Existe um efeito bola de neve em toda a cadeia: a equipe começa a perceber que o gerente não conhece tão bem a realidade de quem está na operação e as ordens dele são consideradas perda de tempo; a equipe até tenta falar com o gerente, mas a resposta dele é sempre para que se sigam as normas e procedimentos que foram definidos pela “empresa”; o gerente até procura falar com o empreendedor, mas ela está muito ocupado, afinal de contas o negócio está em plena expansão, são muitas reuniões. Entra em cena o famoso cinismo empresarial, no qual a equipe finge que trabalha, os gerentes fingem que controlam e o empreendedor foge dos seus problemas e procura somente os prazeres e as bajulações.

Empresas com muitos controles, mas sem um propósito elevado, uma cultura e uma liderança conscientes são ambientes em que predominam pessoas com comportamentos automatizados, que fazem porque estão sendo pagas para isto. É o famoso “manda quem pode e obedece quem tem juízo” ou “pagando bem que mal tem”.

Como enfrentar a falta de controle?

Ser consciente significa estar totalmente desperto e lúcido para enxergar a realidade com clareza e para entender todas as consequências das suas ações, em curto e longo prazos. O empreendedor disposto a construir uma empresa consciente precisa focar em controles e processos, contudo é necessário equilibra-los com o caos para que a criatividade das pessoas possa emergir. O controle precisa fazer sentido, para que aquele que o executa o faça com consciência. Caso contrário, estamos limitando a capacidade de inovação da equipe. Os ambientes que conseguem um balanço entre caos e ordem são chamados de caórdicos e para construir estes ambientes acreditamos na adoção dos princípios a seguir:

Propósito maior

As empresas produzem um impacto positivo muito maior quando se baseiam em um propósito maior, que vai além da geração lucro.

É a razão da existência de uma empresa e tem um caráter mobilizador: cria um extraordinário grau de engajamento entre a equipe e catalisa a criatividade, a inovação e o comprometimento organizacional.

Liderança consciente

Não existe negócio consciente sem líderes conscientes.

Estes são motivados principalmente pela oportunidade de servir ao propósito maior da empresa e de criar valor para todos os envolvidos. Sua capacidade de compreender o negócio com um organismo vivo transcende as limitações da mente puramente analítica, focada apenas em diferenças, conflitos e controles.

Cultura consciente

A cultura é a “liga” que vai garantir força e estabilidade para a empresa como um todo, inclusive para assegurar a utilização dos controles, processos e sistemas. Ela funciona como uma força invisível que modela as relações entre as pessoas, a velocidade do trabalho e estilo da liderança. Embora variem de acordo com a organização e o líder, tais culturas usualmente compartilham muitas características, como confiança, responsabilidade, transparência, integridade, além do amor e cuidado com as pessoas.

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