Custo Direto x Indireto x Fixo x Variável

E aí pessoal, mais uma vez estou aqui tentando compartilhar o que sei pra que os nossos papos sobre finanças fiquem cada vez mais sintonizados. Espero que gostem, valeu!

Custo Direto x Custo Indireto

Essa divisão vem incialmente do mais clássico dos custeios, o custeio por absorção. Eu mesmo considero os outros custeios (fora o variável que veremos a seguir) como derivados da ideia inicial do custeio por absorção, com alguma forma de rebuscamento na hora de tratar os custos indiretos (como é o caso do custeio por departamentalização e custeio ABC). Segundo ele, os custos diretos seriam todos aqueles custos facilmente associáveis aos produtos em fabricação, bastando para isso apenas uma medida de consumo. Você não precisa de nenhum cálculo muito complexo para fazer essa alocação.

Imagine que nós temos uma confeitaria e estamos fabricando um bolo. Você sabe quanto vai ali de açúcar, manteiga, farinha de trigo, ovo. Sabendo o preço desses insumos, você logo consegue associar quanto foi absorvido por aquele produto em apreço.

Exemplo: 1 kg de farinha de trigo custa R$ 4,00. No meu bolo vão 200g de farinha de trigo, logo o custo de farinha no meu bolo é R$ 0,80.

(200g / 1000g) * $ 4,00 = $ 0,80

Então farinha de trigo é um custo direto, mais especificamente um Material Direto.

E o salário do confeiteiro? Bem, depois de muita experiência prévia, você saberia quantos bolos em média são produzidos pelo seu confeiteiro:

Vamos supor que um bom confeiteiro consiga produzir 191 bolos por mês e que seu salário somado com encargos seja de $ 2.500,00

Custo do com Mão de Obra Direta = 2.500 / 191 ~ $ 13,10

Esse custo com o confeiteiro seria um custo direto, mais especificamente, um custo com Mão de Obra Direta.

Agora, permanecendo na análise da nossa padaria, imagine que nós temos um auxiliar de cozinha, que tem a função de separar previamente os ingredientes que irão ser utilizados por todos os confeiteiros no dia, limpar as bancadas após a utilização de cada um, monitorar os tempos de forno para uma grande variedade de produtos. E aí? Qual o custo desse cidadão que vou alocar ao nosso bolo?

Não tem saída, a alocação do custo dessa mão de obra tem que perpassar por algum tipo de rateio não tão direto. Não é fácil enxergar qual foi a quantidade de trabalho dedicada ao meu bolo em específico. Geralmente, essa divisão é um tanto quanto arbitrária. Então, o custo com esse meu funcionário de apoio à produção é do tipo indireto, mais especificamente, Mão de Obra Indireta.

O mesmo ocorre com o meu gás de cozinha, como relacionar diretamente ao meu produtos? Será que podemos dizer que o meu bolo gastou exatamente ‘x’ dcm³ de gás para ser produzido? Improvável. Gás, nessa situação, é Material Indireto.

E é aí que a contabilidade de custos começa a ficar criativa. Os teóricos vão pensando em como alocar esses custos indiretos, seja através de departamentos (custeio departamental), seja através do estudo das atividades que consomem esses recursos(custeio ABC). Veremos mais sobre os custeios no futuro.

Custo Fixo x Custo Variável

Pois é… enquanto o custeio por absorção e seus amiguinhos estão preocupados com o tratamento correto dos custos indiretos, existe um outro custeio que não está minimamente preocupado com toda essa problemática.

Ele é aquele seu tio bruto, que não gosta de firulas. Ele se chama Custeio Variável (ou custeio DIRETO). O nome custeio direto é só pra avacalhar com uma nomenclatura que já é confusa, pois o custeio direto não classifica os custos em diretos e indiretos, como o nome poderia sugerir, e sim em fixos e variáveis.

O custeio direto só fez até o ensino fundamental. Só sabe as operações básicas, uma regrinha de três simples e olhe lá. Só reconhece variação através da proporcionalidade (1 melancia está para 100 sementes assim como 2 melancias está para 200 sementes). Todo o resto que não varia nesses moldes é complexo demais para ele.

No nosso bolo, serão custos variáveis, todos aqueles que variarão proporcionalmente à minha quantidade produzida. E o proporcionalmente é chave para entender isso. Se no meu bolo são consumidos 2 ovos, para 2 bolos serão necessários 4 ovos. Ovo é custo variável. O mesmo vale para a farinha, açúcar, manteiga, glacê…

E aí se você ainda estiver acordado depois dessa chatice toda, você pode pensar:

— Estou notando uma certa intersecção entre custo VARIÁVEL e custo DIRETO.

E você está certo, há uma forte intersecção entre os dois. Geralmente aquilo que é diretamente atribuível ao meu produto em fabricação (custo direto) também é variável.

E o segredo, porém, está no geralmente. Responda-me uma coisa: e no caso do nosso confeiteiro. Dissemos que o custo da sua mão de obra era do tipo direto, mas será que é também variável?

Apesar de chegarmos a um custo direto que é alocado em termos de mão de obra na feitura do nosso bolo ($13,10), alcançamos isso fazendo uma divisão. O custo total com esse funcionário, pelo menos no curto prazo e dentro de patamares similares de produção, não mudará proporcionalmente à minha quantidade produzida. Pelo contrário, parece-nos que quanto mais eu produzo de bolo, menos desse custo de mão de obra é alocado a cada um deles, pois tenho mais bolos com os quais dividir o meu custo total com o funcionário. Capisce?

E o fixos? São todos os outros custos. Aqueles custos que não variam proporcionalmente à minha quantidade produzida. A energia gasta pela minha área de produção, o aluguel dessa mesma área, as taxas municipais, água, telefone, o salário dos meus funcionários (dentro do mesmo patamar de produção).

Você poderia argumentar, como eu com certeza fiz, que a energia gasta pela nossa padaria/confeitaria não é assim tão independente da minha quantidade produzida. É razoável pensar que quanto mais eu produza, mais eu gaste de energia. E eu diria que você está certo.

Porém, lembre-se que o nosso custeio variável fez só até o fundamental. A equação que relaciona esse gasto de energia com a quantidade produzida está longe de ser do tipo linear (y = ax +b), então o custeio variável, que é avesso a firulas, classifica esse custo no mesmo arcabouço daqueles que definitivamente não tem nenhuma relação com a minha quantidade produzida, como é o caso do aluguel. Existem formas mais complexas de tratar esses custos, com equações mais robustas, análises estatísticas, mas isso foge do nosso objetivo.

Note que o meu aluguel pode aumentar de um mês para o outro e que a minha conta de energia também irá variar, via de regra, mas isso não impede de que sejam chamados de Custos Fixos. A nomenclatura “FIXO” diz respeito à sua variabilidade ou não, de forma proporcional, com a quantidade produzida e não com o fato de serem constantes no tempo. A nomenclatura correta para aquele custo que não varia no tempo é custo recorrente.

E aí vc vira pra mim e diz:

— Certo, até agora você está falando somente em custo, custo, custo e as despesas? (Se não se intrigou com isso, recomendo ler este artigo)

Bem, como já disse antes, a contabilidade de custos nasce muito voltada para a era industrial, uma era onde as depesas eram troco se comparadas aos custos.

Despesas? Despesas vão direto para o meu resultado, eu nem me preocupo em estudar como elas se relacionam com o meu produtos. O mundo, entretanto, mudou, e devido a isso, a abordagem de um outro tipo de custeio tornou-se bastante popular: o custeio RKW.

O custeio RKW ao contrário dos aqui citados é mais uma filosofia do que uma metodologia de alocação. Esse simplesmente vai atrás de alocar tanto os custos quanto as despesas aos produtos fabricados. Ele geralmente é utilizado juntamente com os outros custeios. Mas isso é assunto para outro artigo, quando falarei mais dos tipos de custeio e quais suas principais aplicações.


Se você anda incomodado com a maneira como o seu negócio é estruturado, anda procurando formas de engajar pessoas, de ser mais responsivo ao dinamismo desse mundo complexo; mas sente que algo maior está te travando, vamos tomar um café (ou talvez algo mais gelado). A gente sente o mesmo e estamos na mesma busca.

Victor Batalha