Planejamento Estratégico — Ser ou não ser, eis a questão…

Caso sua empresa enfrente um mercado relativamente estável, sem muitas surpresas — e sim, ainda existem empresas que bem ou mal vislumbram tal panorama. Se disrupção pra você é uma palavra que somente se adequa aos jovens de barba e coque samurai trabalhando em seus Macbooks. Se a estratégia da sua empresa é formulada de forma centralizada e como um puro exercício mental no final de cada ano e esse processo vem apresentando bons resultados; bem, se você é uma dessas pessoas, esse artigo possivelmente não lhe trará muitos benefícios.

Todavia, caso você viva em um ambiente dinâmico, complexo e, porque não, caótico. Se o seu maior insumo produtivo é a criatividade da sua equipe. Se você já tentou no passado fazer um planejamento estratégico tradicional e falhou miseravelmente. Se o movimento da sua empresa parece-se mais com uma revoada de pássaros do que com o uma marcha sincronizada de um batalhão de infantaria. Se você já contratou uma consultoria para realizar um planejamento estratégico e chegando em abril você viu que todo aquele exercício mental despendido no fim do ano passado não passou de puro exercício de abstração com pouquíssima aplicabilidade prática, então, talvez, esse texto venha-lhe acrescentar algo.

Acreditamos que o ato de planejar dentro desse novo mundo dinâmico está intrinsecamente conectado à capacidade de adaptação, a manter-se fiel a seu propósito, mesmo que as circunstâncias impliquem em pivotar o empreendimento ocasionalmente. Acreditamos que o processo de concepção dessa nova estratégia esteja cada vez mais desconectado dos escritórios fechados e das grandes mesas de reunião onde “grandes mentes pensantes” se reúnem em um exercício de prever o futuro. Acreditamos em uma forma alternativa de planejar. Um planejamento maleável, transmutável, mas que permaneça fiel a sua essência. Um processo que ao invés de metas fechadas, vislumbre amplitudes de possibilidades.

A maneira como acreditamos é um planejamento alinhado com o propósito que emerja em todos os lugares da empresa, seja da mente do empresário (que por muitas vezes é quem detém a melhor visão sobre seu mercado), mas que também seja o reflexo de pequenas ações tomadas de forma descentralizada em reação a uma mudança no ambiente ou a uma oportunidade surgida que antes fora ignorada. Acreditamos em um blend — para usar uma palavra tão citada pelo nosso amigo André — de estratégia deliberada e a emergente. Queremos engajar equipes nesse processo também. Não apenas em uma dinâmica de fim de ano em algum resort, mas no dia-a-dia. Acreditamos que conseguimos ajudar empresas a criarem ambientes mais participativos, onde a opinião de cada um é mais valorizada e onde a comunicação flui com maior permissividade. Qual a ferramenta pra isso? Aí que está! O enfoque não é na ferramenta. É muito mais que isso. É a crença que os seres humanos são sedentos por participação e por engajamento e que cada um nessa vida tem um propósito que gostaria de perseguir e quanto mais perto desse, mais significante torna-se a sua jornada.

Certo, certo. Não o culpo se essa for a imagem mental que o leitor possui do autor nesse atual momento, mas hold on a second.

Todo esse papo de um planejamento mais engajado, mais complexo, menos linear é muito bonito na teoria, mas como fazer isso?

Se existisse um método fechado para conseguir tal façanha, esse artigo seria no mínimo contraditório. Cada empresa exige uma abordagem específica.

Posso dizer que essa abordagem é baseada em pensamento complexo, na teoria do caos, na comunicação não violenta, na quinta disciplina, na visão do homem como um ser que transcende.

HARD SKILLS

Nossa abordagem de planejamento passa pelo entender profundo sobre os empreendedores envolvidos. Utilizamos técnicas para compreendermos como a empresa está conectada com o propósito de cada um. Mergulhamos na história dos empresários, conectando os pontos da sua trajetória. Objetivamos tocar na essência do empreendimento e daí desdobrar para a toda empresa. Passa também por dinâmicas colaborativas com toda a equipe, por desenho de reuniões mais produtivas, por trazer a tona crenças arraigadas e jogando luz sobre elas entendemos como elas influenciam no guiar do futuro da organização.

Passamos também por um entendimento do ambiente financeiro da organização. Compreender profundamente essa língua falada pela empresa é essencial para que possamos vislumbrar uma nuvem estratégica a perseguir. Vamos falar, sim, de margem de contribuição por produtos, por segmentos, analisaremos custos diretos e indiretos, talvez até entremos (a depender do ambiente de cada organização) nas famosas siglas: EBITDA, ROI, EVA, WACC..

Passamos também por entendimento do mercado em que o negócio está inserido e como está o contexto desse ecossistema. Esse passa tanto por técnicas equitativas de análise, como pode passar também por uma análise minuciosa de dados disponíveis utilizando da nossa expertise em Inteligência de Mercado.

Regamos tudo isso com muito design, para materializar e disseminar toda essa abordagem pelo empreendimento. Design esse que serve tanto internamente, tangibilizando o planejamento às N dimensões da empresa, como também externamente para o desenvolvimento de uma nova linha de produtos ou mesmo um rebranding completo de uma instituição.

Para finalizar, não estamos aqui criticando a forma tradicional de se fazer planejamento estratégico por um simples exercício de iconoclastia. Não achamos que o problema está no estabelecimento de uma Missão para o negócio; mas sim no fato dessa missão ser muito mais algo para estampar na parede, apenas mais um ‘tick’ no processo de elaboração da estratégia; do que realmente um propósito conectado com a essência dos empreendedores. O erro também não está no estabelecimento de uma Visão; mas no fato dessa ser muitas vezes elaborada de maneira unilateral, sem levar em consideração os objetivos mais profundos dos seres humanos daquela organização. O erro não está na utilização de uma análise SWOT (FOFA), mas no fato dessa ser muitas vezes utilizada como única ferramenta para simplificação de um ambiente infinitamente mais complexo.

O modelo mecanicista, consumidor do mundo está demonstrando sinais de esgotamento, as iniciativas de maquiar esse desgaste também já estão caducando. Sentimos profundamente que é chegada a era da verdade, a era das organizações realmente transformadoras, que buscam conectar seres humanos e transformar o mundo para melhor. Acreditamos que qualquer ato de planejar para o futuro deva ter essa premissa como principal arrimo.