Durante a sua jornada, o empreendedor vai construir relações com várias partes interessadas (os famosos “stakeholders”). O problema é que se o interesse de uma das partes for apenas o benefício próprio e não estiver envolvido em beneficiar a outra parte, a relação torna-se desarmônica.

E assim como ocorre na natureza com todos os seres vivos, relações desarmônicas vão esgotando, aos poucos, as energias. Este tipo de relação é chamada de parasitismo.

Por que parasitismo é um desafio?

O parasitismo acontece em doses tão pequenas que, geralmente, não é percebido pelo empreendedor. É aquela pequena “diferença” no fechamento do caixa do dia que aparenta ser irrelevante, mas que no horizonte de um ano pode se espalhar para outras áreas da empresa e quebrar o seu negócio.

Os parasitas podem surgir de qualquer uma das partes interessadas no negócio. Podem ser sócios investidores que não pisam na operação, não conhecem o mercado e só cobram os lucros; o governo com seus fiscais corruptos extorquindo ou com regras que prejudicam o livre mercado; os funcionários sabotadores que fingem que trabalham; os fornecedores que não entregam o que prometeram; ou os bancos que não são transparentes nas suas operações.

Os parasitas sobrevivem das pequenas corrupções e desonestidades do dia a dia.

Quais as causas do parasitismo?

Não é fácil harmonizar simultaneamente as necessidades e as preocupações de todas as partes interessadas. No entanto, é necessário. A sensação de estar em “desvantagem” numa relação é a porta de entrada do parasita. Como não percebe valor na relação, ele vai buscar esse valor sabotando o negócio de forma consciente (o mau caráter que comete desvio de conduta) ou inconsciente (o ignorante que desconhece outras opções para equilibrar a relação).

O empreendedor é responsável pelo parasitismo no seu negócio? A resposta é sim, como em todos os demais problemas do seu negócio. Empresas que tem o lucro como único objetivo exaurem, espremem e apertam todos os seus ativos, recursos e stakeholders para maximizar os seus retornos financeiros, com certeza será um ambiente propício ao parasitismo.

O lucro é vital para a sobrevivência de qualquer negócio, assim como o alimento é para qualquer ser humano. Contudo, nosso propósito como seres humanos não é apenas se alimentar. Assim como somente comida na mesa não torna uma vida plena, tocar negócios com foco somente na margem de lucro não garante harmonia entre as partes interessadas.

Como enfrentar o parasitismo?

O caminho para enfrentar o parasitismo é concentrar-se na criação de valor, não na divisão dele. É preciso pensar em fazer o bolo crescer, em vez de apenas se preocupar em cortá-lo em fatias iguais. E para que o bolo cresça é necessário que todos estejam conscientes da interdependência entre os stakeholders. O que não for bom para o ecossistema também não é bom para o empreendedor, de forma que acreditamos nas seguintes premissas:

Conecte vocação com um propósito maior

Quando a vocação encontra ressonância no propósito da empresa, existe uma grande oportunidade para o estabelecimento de uma relação harmônica, duradoura e próspera. Agora quando se está na relação só por dinheiro, por status ou qualquer outro motivo egóico (não vocacional), mais cedo ou mais tarde vai dar “parasita”.

Um exemplo e um contraexemplo são as organizações sem fins lucrativos, que superfaturam os preços dos contratos em licitações e servem, ainda, aos interesses econômicos e eleitorais de um político que engendra a sua contratação.

Dê o exemplo e crie cultura

Lembre-se que cultura é o que as pessoas fazem sem que ninguém as peça, seja bom ou ruim. Quando você quer que se instale uma cultura na empresa, é preciso cultivá-la, pois um ambiente de ganha-ganha é um excelente veneno contra parasita. Por outro lado, se o que predomina é a mentalidade do “vou garantir o meu”, o parasitismo reina. É a cultura — de mãos dadas com o propósito — quem dá o ritmo e rege a orquestra, mesmo sem maestro.

“Quando você quer que se instale uma cultura na empresa, é preciso cultivá-la”

Compartilhe o que você sabe

Quanto mais aberto você é com as pessoas, mais abertas elas são com você. Já pensou se as negociações com fornecedores tivessem mais transparência e menos blefes? Com certeza teríamos relações comerciais mais maduras e duradouras. Quando você compartilha informações relevantes com equipe, clientes, fornecedores e demais partes interessadas, é construída uma relação de confiança, essencial para tomadas de decisão conscientes.

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