Minha experiência com xamanismo

Sentia-me rodando em círculos, sem chegar a canto nenhum.

Não me lembrava mais dos meus sonhos ou do que mais me deixava feliz.

Não me recordava mais do que era ter brilho nos olhos ou que poderia me fazer recuperar a vontade de sair da cama de manhã.

A vida parecia uma peça de teatro, só mudavam os atores e o palco, e eu me sentia representando o mesmo papel. Já sabia de antemão as falas, reconhecia velhos personagens, só não conseguia mudar o plot.

Fiz muita psicanálise, também fiz terapia, sabia quais eram meus problemas, só não conseguia superá-los.

Foi aí que me recomendaram fazer um retiro xamânico. Achei estranho, mas vi tanta gente — de quem gosto e em cujo julgamento confio — fazer e me recomendar, que decidi ir.

Fui desconfiada mas esperançosa, sempre busquei a felicidade nessa vida, não iria desistir das minhas aspirações mais íntimas — tão prosaicas, mas minhas.

Num espaço arborizado e tranquilo na zona sul, cheguei de mansinho, me apresentei pro grupo. Idades variadas, maioria de mulheres, gente fina, elegante e sincera. Gostei de todos.

Ao som da batida do tambor e das voz do xamã nos guiando, o que fazemos é: mentalizar situações e encontrar nossos animais de poder, animais de cura e objetos de poder. Contamos pro grupo cada uma das mentalizações, se queremos, e o xamã nos dá a visão dele.

Parece bastante simples, mas é complexo. Há pessoas que não conseguem visualizar, e outras que têm bastante medo, choram, enfim, melhor sentir que explicar.

Não foi que eu acordei uma nova mulher depois do final de semana, mas aos poucos algumas coisas mudaram, e ainda seguem mudando.

Sinto-me uma pessoa mais forte e mais dona da minha vida.

Sinto que o barco é todo meu, e embora o remo sempre tenha estado em minhas mãos, hoje sei manejá-lo melhor. Apesar de eu não controlar o mar, tenho sabedoria para fugir de maré baixa e não encalhar na praia; ou encontrar um porto seguro em dias de ressaca.

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