Frantz além do princípio de prazer
Após a primeira guerra mundial, doutor Freud ficou bastante surpreso com alguns pacientes voltando do front. Passadas as batalhas, mesmo com análise, os soldados continuavam a apresentar sintomas de sofrimento, apesar de estarem vivos e salvos.
Foi a deixa para concluir que, apesar de sempre buscarmos o prazer na nossa existência, tendemos a recriar e a relembrar os momentos de aflição e dor profundas, seja por meio de sonhos ou alucinações. A partir destas observações, Freud escreve o livro Além do princípio do prazer.

É neste cenário desolador em que se passa Frantz, um filme sobre a Anna, a noiva que coloca flores todos os dias no último do noivo Frantz. Moradora de Quedinburg, uma pequena cidade alemã, um dia ela é supreendida por um francês, Adrien, cuja presença inflama os brios do recente nacionalismo alemão, que aliás será combustível da Segunda Guerra.
Somos invariavelmente direcionados a pensar em vencedores e perdedores e, a despeito de os personagens serem jovens, como permanece o sentimento de luto e perda.
Capturando bem o espírito da época, o cineasta Francois Ozon conduz o espectador a sentir as barreiras muitas vezes fluidas entre dor e prazer e se vale da fotografia como recurso-chave.
Embora se busque o prazer ao máximo, vivemos num equilíbrio precário de nossas alegrias e restrições, por inúmeras vicissitudes. Frantz nos lembra que, há 100 anos, os homens do início do século tinham dores semelhantes. A condição humana universal.
Em tempo: para os topzeras e adeptos de kits, é possível ver a gênese do penteado undercut e do bigode de charreteiro. #InfelizmenteNaoÉTãoBom

