O filme do cara que joga xadrez com a morte

Um cavaleiro, um homem mascarado, um tabuleiro de xadrez. Ao fundo, um mar que quebra nas pedras. Um personagem que questiona sua fé e seu caráter, voltando das Cruzadas, na Baixa Idade Média. Ele só pede mais tempo para a indesejada das gentes, quer fazer algo de bom, e ainda tem muitas perguntas.

Eu também tenho minhas perguntas. Não sei se deixei marca alguma e tenho dúvidas se fiz a diferença na vida de alguém. Achei que estava ajudando em algumas oportunidades, mas me pergunto o quando atrapalhei ou fui irrelevante.

Já estive no céu e mergulhei no inferno, os dois dentro de minha mente, claro. Conheci a paixão avassaladora, que nos faz perder noites e viver o dia com mais intensidade e cor. Vivi o amor profundo, que nasce da rotina, se doa, pensa no outro, mas também se anula. Experimentei a indiferença mordaz, a invisibilidade, o andar anônimo por entre as pessoas, o ser esquecido.

Não importa, se a morte chegasse hoje, eu ainda pediria um pouco mais tempo, como fez cavaleiro. Todo dia jogo xadrez com ela, tento pregar uma peça, um novo truque, tudo para ganhar mais tempo. Não importa, pois quem ganha no final é a morte.

Todo dia experimento o silêncio de Deus, surgem em muitas perguntas. Continuam sem resposta.

Mas tenho o mar e gosto de jogar xadrez. E amo Bergman. Vivo.

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