Tragédias, caos e oportunidades: pensando um pouco fora da lama!

por Nuno Arcanjo, poeta’empreendedor!

Sim, estamos no meio do Caos. Os últimos dois grandes atentados à nossa paz — a morte do Rio Doce e o terrorismo em Paris — têm movimentado rios de sentimentos há muito tempo adormecidos em nossa humanidade. Pois na condição de Poeta e empreendedor, resolvo sacar esta minha arma-palavra para movimentar um pouco essa lama que se move também em mim… (este é meu primeiro texto por aqui, nem um pouco planejado de ser esse tema, mas… tinha algo gritando, e resolvi obedecer o sentimento).

Espero sinceramente afetar você que me lê, na direção de um incômodo um pouco mais proAtivo — mesmo que seja daí mesmo: do conforto de seu Smartphone.

“A Dor é o grande veículo da Consciência”.

Com esta frase — dita dois mil anos antes de Cristo — o mestre Gautama, o primeiro BUDA, descobriu algo valioso: a morte, a doença e a tragédia nos acordam mais rápido do que carícias e palavras de amor — infelizmente, escolhemos assim!

Pois não bastasse a crise econômica e política — que já vem silenciosamente desmotivando e matando sonhos e ousadias em cada um de nós — as últimas notícias nos lançaram em uma enxurrada de sentimentos pessoais e coletivos bastante difíceis, intensos e oscilantes. Não sei você, mas já senti muita raiva das mineradoras, dos políticos, uma grande impotência diante da impunidade, e uma dor visceral vendo o Rio Doce ficando azedo de lama, e levando a vida de peixes, plantas, e pessoas… muitas pessoas…
… por vezes tive vontade de levantar o bunda do facebook e ir lá pra perto dos desabrigados, nem que seja pra passar uma noite, uma conversa, um abraço.

Mas… confesso, faltou coragem (e no momento, também me falta tempo e dinheiro ), resolvi então usar o que tenho: minha palavra, meu afeto e alguma inteligência para pensar um pouco fora da lama e alertar algumas pessoas que vão ler esse texto, sobre o perigo que corremos ao nos misturar com o problema e esquecermos que no meio do Caos também são geradas soluções e ideias novas para problemas antigos. Listo aqui algumas ações concretas — externas e internas — que você pode fazer agora mesmo pra ajudar as pessoas (e a si mesmo) a sair do medo, da inércia e AGIR:

1. Conecte-se com a turma do SIM!

Quando estamos com medo, dúvida e sem saber o que fazer, o melhor é buscar sintonia com pessoas que estão em ação propositiva, olhando mais pra solução do que para os problemas. Respeito e honro os militantes que levantam as armas contra a Mineração, contra o Governo, e contra a impunidade. Acho sim que são ações necessárias nesse momento. Mas… apenas para quem tem inteligência, experiência e principalmente vocação para isso. Quem não tem, começa a combater crimes ambientais colocando fogo em pneus. Combate a violência com mais violência… Eu tô fora!
Aprendi com o grande pacifista Mahatma Gandhi que muito melhor que fazer passeata contra a Guerra (o que ele sempre recusava) é fazer ações a favor da paz. Sobre isso, há uma frase tragicômica que diz:

“Fazer Guerra para manter a Paz é o mesmo que fazer sexo para manter a virgindade!” (anônimo)

:-) Pense nisso!

Sugestões práticas: procure Grupos (seja no facebook, ou em sua cidade) onde pessoas estejam mobilizadas para agir com foco em soluções. Seguem algumas que conheço ( a letra “D” é a mais efetiva neste momento!)

<A>>Guerreiros Sem Armas — Comunidade internacional, nascida no Brasil pelo trabalho do Instituto ELOS, que promove mobilizações locais e coletivas que realizam mutirões em comunidades, afim de construírem espaços de convivência e principalmente reconstruirem as relações e a união entre as pessoas. Conheço de perto e participo deste movimento desde 2012 (o site está no link do ELOS acima, e aqui a página do face: fb.com/GuerreirosSemArmas )

<B>>Grupo: “Rio Doce Vivo” — Grupo recente no facebook onde estamos co-construindo soluções e sugestões para o que ocorreu ( link ).
Certamente há muitos outros (e novos surgirão), mas uma dica prática: escolha poucos e FOQUE! (senão você se perde… e não conseguirá ajudar de verdade!)

<C>> Site da Cruz Vermelha — cruzvermelha.org.br
Caso você não saiba (ou não conheça), a Cruz Vermelha é a entidade independente mais atuante no Brasil (e no Mundo) em casos de pessoas afetadas por desastres naturais, conflitos, guerras e afins. Sempre muito organizados para receber doações e voluntariado. No site tem os endereços de todas as filiais do Brasil, além das campanhas atuais que estão acontecendo.
(acabo de ir lá, e já me informei sobre o local mais próximo que posso ajudar!)

<D>> Plataforma: RioDoce.Help
Pra quem quer ajudar com qualidade e FOCO, esse é o melhor lugar pra visitar agora. Num mesmo site você encontra: > Mapa com os locais de coleta de donativos distribuídos no Brasil. > Link para propor ideias e soluções / > Cadastro de voluntários > Cadastro de empresas / > A História e seus detalhes.
Entre outros… (se está disposto, termina o artigo e vai lá.
Ou então, nem termina (rs!) >>RioDoce.help — JÁ!

2. Em vez de comparar e dividir, SOME!

Tenho visto muitas pessoas (queridos amigos inclusive) ficando indignadas com a retirada do foco da tragédia do Brasil e se voltando para os atentados na França. Taí mais um jogo que aprendemos a jogar e alimentar: o da comparação, ou do “Ganha-Perde”. Esse jogo nos foi ensinado na escola (com as notas), nos esportes (com os ganhadores e perdedores), na política (com as eleições), e até no facebook (quem tem mais curtidas… ganha!) enfim, acreditamos que é assim que funciona a realidade. Definitivamente NÃO! Não há tragédia melhor ou pior. E olhar pra França não nos faz perdedores ou menos importantes.
Claro que historicamente aprendemos que o que vem de fora costuma ser digno de mais atenção. Mas… em vez de comparar, que tal somar. Se acredita e gosta de rezar: inclua em suas orações os dois, os três, os 10 milhões de pessoas que sofrem com as tragédias. Se gosta de agir: escolha uma ação por vez e se dedique a ela. Cuidando do seu quintal, você estará cuidando do planeta, isso é um princípio e uma Lei!

3. Informe-se, aja e pense em longo prazo!

Toda crise traz consigo uma oportunidade de aprendizado. Fui estimulado pela amiga e empreendedora Rafa Cappai a pesquisar sobre como o povo japonês se reinventou após suas tragédias recentes. Lendo sobre como se comportaram após o Tsunami de 2011, que gerou também o acidente nuclear da Usina de Fukushima (você deve lembrar disso), descobri que primeiro eles assumiram um erro humano quanto ao acidente nuclear que, segundo estudos, poderia ter sido evitado (leia este artigo), e depois o governo mudou o foco da produção de energia, e investiu pesado em uma MEGA USINA SOLAR, bem mais ecológica, mais eficiente e muito mais segura para a vida humana (artigo).

Usina Kagoshima Nanatsujima (assim se chama) não coloca em risco os trabalhadores, não espalha radioatividade no Oceano Pacífico e não corre o risco de derreter.

Em resumo, eles olharam para as causas, assumiram e aprenderam com os erros e trabalharam para a solução. Para mim isso se chama humildade, inteligência e trabalho.
Você pode pensar: “mas no Brasil é diferente, os políticos são corruptos e os donos de mineradoras nunca são punidos”. Olha… vou falar uma coisa difícil de engolir: é assim, porque nós, o povo, criamos essa realidade! Além de não saber votar, não procuramos saber como fiscalizar, e nos habituamos a reclamar (e não a reivindicar e agir). Bem… sem alongar isso, cabe aqui a constatação científica do Einstein:

4. BOICOTAR é bem melhor que reclamar!

Eu moro em Minas, e sempre me intrigou a voracidade com que as mineradoras agem, invadem comunidades e não medem esforços para empreender sua atividade comercial. Aí resolvi pesquisar um pouco e descobri que cada tipo de minério serve para fazer uma enormidade de coisas. Olha o caso apenas do minério de ferro, que é matéria-prima para fazer: automóveis, motores, fogões, fornos, geladeiras. Ferro para concreto armado, arame farpado, grampos, pregos, martelos, facas, garfos e colheres. Mesas e cadeiras, armários, camas, fornos micro-ondas, panelas. Zíperes, botões, fivelas. Janelas e portas. Trilhos de ferrovia, locomotivas e vagões, ônibus e bondes. Torres de telefones, celulares, computadores, etc, etc, etc, etc, etc. . .

Duas reações possíveis: Caraca, é tudo que a gente usa e “precisa” pra viver! Outra: “Sim eu já sabia , e daí?!”

E daí… que foi justamente a construção de nossos hábitos de consumo que tornaram vorazes e lucrativas todas as etapas da cadeia produtiva que tem sua raiz na mineração. Não cabe aqui aprofundar isso — não é o foco — mas se quiser entender melhor (ou até revisar seu entendimento) assista ao breve e conhecido documentário: “A História das Coisas”

A palavra chave é: Consumo! Então que atire a primeira pedra quem não trocou de computador, carro ou celular nos últimos 12 meses. Implantaram em nós uma ideia maluca de que as coisas materiais (principalmente as tecnológicas) precisam ser trocadas sempre que aparece outra nova. Muitos de nós (muitos mesmo), entramos nessa, sem pensar. Pois em mim está decretado: meu celular vai durar até a moça da operadora desistir de me empurrar a última promoção da loja. Meu carro — que ainda não tenho , rs. — quando existir vai dar muita carona e ser cuidado para durar o tempo que ele puder.

Todos já ouvimos falar em “consumo consciente”, mas virou um conceito cult, sem força nenhuma mais. Existe um outro, que a moda ainda não desgastou, chamado “Simplicidade Voluntária”, e que implica em assumir uma atitude de vida bastante essencial, ou seja: prosperidade é ser simples, e usufruir o melhor possível daquilo que já temos!
Pois fica a provocação: da próxima vez que for jogar fora ou trocar alguma coisa dessas da lista lá do minério de ferro: PARE e… “Será que precisa mesmo? Vou experimentar usar mais um tempo!” (imagine se a moda pega e centenas, milhares, milhões de pessoas passarem a ter esse hábito! Em algum momento as mineradoras vão ter que mudar de ramo, ou falem!!!).

Um blog fantástico que comecei a acompanhar é o UmAnoSemLixo.com, da designer Cristal Muniz, que tem compartilhado estratégias concretas que ela está aplicado para viver sem produzir lixo (ou produzindo o mínimo possível). A moça é aplicada, tem receitas de cosméticos artesanais que ela tá fazendo, lista de onde encontrar coisas sem embalagem, etc e muito mais!

Outro site incrível, que gosto e uso é o temacucar.com , trata-se de uma plataforma que rastreia sua vizinhança, e você pode trocar e emprestar coisas para quem mora perto. Além de economizar no consumo, a gente ainda se aproxima dos vizinhos: esses seres estranhamente perto e distantes ao mesmo tempo!

5. A paz no mundo inteiro começa em você!

Por último, e talvez mais importante, compartilho uma resposta prática sobre como acabar com a violência no mundo. Uma vez fizeram essa pergunta para um mestre. Ele parou o que estava fazendo, fechou os olhos, fez um instante de silêncio e respondeu: “simples: acabe com a violência dentro de você!”

Pois existe uma forma bem concreta de fazer isso, eu chamo de “paradinhas” ou “goles de silêncio”. Neste vídeo, curto e divertido, explica a brincadeira (de tudo que foi dito… talvez o mais simples e necessário nesse momento).

Bem… fico por aqui, com essas provocAções!

A última é: acha que esse texto pode ajudar e inspirar mais gente? Então espalhe-o, por amor…
…e se quiser comentar, será um prazer interAgir com você!

(afinal é meu primeiro texto por aqui… e o primeiro a gente não esquece!)

em afeto e ação
Nuno Arcanjo

poetaempreendedor.com